
ESGALHO FEBRIL
Respira versos o poeta
Versos
Escavados em canteiros
Por ferramentas singulares
No rio que corre ao mar
Na flor que abrolha
Na colina
Onde canta o pássaro
Na transparência do acinzentado das nuvens
Adubadas por palavras
Com cheiro de
lembranças
Saudades
Ora verdes
Sabor de abacate
Indeléveis
Vistas sem frestas
Porta entreaberta e...
E
Infinitas reticências
Impalpáveis aos olhos vistos
Entrevisto
Ele
O poeta é apanhado
A aspirar o perfume do mar...
Do mar...
Onde nem sequer há um lago
De águas pálidas...
Sua alma é perspicaz
Seu peito é grande
Nele habita o canto da cigarra ao cair da tarde
O trilar dos grilos a faceirar os campos
O vigoroso vento delicado e selvagem
Solitário e viajante...
Ainda que ninguém acredite
Desvario para uns
Para o poeta
Este
É instante sagrado
Abrasado
Ele sente o que
Só ele vê
Folhas verdes no apogeu do fruto
Ouve
O que só ele ouve
O assovio do cipreste
No acinzelar da noite...
No cimo da árvore
Apanha com a pena
Uma tâmara...
Uma pera
Por isto ele é eterno
Feito brisa
Ele
O poeta rega a hora sublime
Do poema a criar seus versos
Nos acordes da lira
De seu peito.
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