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domingo, 21 de janeiro de 2018

Não esquecer um dos meus ídolos - Frank Sinatra


Dores de cabeça com
a Máfia de Luciano
Sinatra foi denunciado pela primeira vez pelo repórter Robert Ruark, colunista da rede Scripps–Howard, que acompanhava a visita do mafioso Lucky Luciano a Havana, Cuba, em 1947. Lucky Luciano havia sido preso em 1936, nos Estados Unidos, e conseguiu liberdade condicional dez anos depois, como reconhecimento do governo norte–americano pelos seus relevantes esforços, durante a II Guerra, ajudando o desembarque aliado na Sicília. Foi então deportado para a Itália.

Em 1947 – já no ano seguinte, portanto – Luciano estava em Havana, hospedado no Hotel Nacional, preparando–se para voltar ao território americano. O repórter Robert Ruark, enviado especial a Cuba, fez uma série de reportagens mostrando que ele, enquanto fazia sua escala na ilha, vinha sendo visitado pelos grandes gângsteres da Máfia nos EUA. E, no dia 20 de fevereiro, Ruark publicava:
“Sinatra esteve aqui por quatro dias na última semana, e durante esse tempo sua companhia em público e em particular era Luciano, os guarda-costas de Luciano, e uma rica coleção de jogadores e comparsas. A amizade foi linda. Eles eram vistos juntos nas pistas de corridas, no cassino e em festas especiais. Além de Luciano, fui informado de que Ralph Capone também estava presente… e ainda uma grande variedade de assassinos que acham o Sul saudável no inverno, ou nos dias de Grande Júri”.
Dizia-se que Sinatra voou de Miami para Havana com Rocco e Joseph Fischetti, dois gângsteres conhecidos. Mais tarde, em 1951, o repórter Lee Mortimer, do New York Mirror, relatava aquele que dizia ser o propósito da visita de Sinatra a Havana: entregar a Luciano dois milhões de dólares em cédulas de pequeno valor.
Sinatra respondeu com um gracejo:
– Imaginem a mim, o magro Frankie, carregando dois milhões de dólares em notas pequenas. Mil dólares em notas de um dólar pesam um quilo e 300 gramas, o que significa que eu teria que carregar 27.000 quilos. Mesmo supondo que as notas eram de 20 dólares, seria necessário uma dupla de estivadores para levá-las. Esta é sem dúvida a mais ridícula acusação que já fizeram a mim… Eu embarquei para Havana com uma pequena maleta em que carreguei meus óleos, as minhas anotações e jóias pessoais, que nunca despacho com minha bagagem.
Aproximadamente cinco anos mais tarde, na revista American Weekly, Sinatra voltaria a falar do episódio:
– O que realmente aconteceu em 1947 é que eu tirei uns dias de folga e decidi gozá-los em Havana e na Cidade do México. No caminho, parei em Miami para um show beneficente para o Fundo Damon Runyon Contra o Câncer. Encontrei Joe Fischetti lá, e quando ele soube que eu ia para Havana, disse-me que ele e seus irmãos estavam indo também, e mudaram suas reservas para estarem em meu vôo.
– Naquela noite eu tomava um drinque no bar, com Connie Immerman, dono de um restaurante em Nova York, e encontrei um grande grupo de homens e mulheres. Como sempre acontece em grandes grupos, as apresentações foram superficiais. Fui convidado para jantar com eles e, enquanto jantava, vi que um dos homens na festa era Lucky Luciano. Percebi subitamente que estava me expondo a críticas ficando na mesa, mas não consegui imaginar uma maneira de sair dali sem provocar uma cena.
– Depois do jantar fui ao jogos de jai alai, e então, com alguém que eu acabara de conhecer, dei um passeio pela noite. Finalmente fomos para o cassino, onde passamos por uma mesa em que estavam Luciano e vários outros homens. Eles insistiram para que sentássemos para um drinque, e, mais uma vez, para não provocar confusão, tomei um rápido drinque e me retirei. Estas foram as únicas vezes em que vi Luciano em minha vida.

Em 1962, em Nápoles, quando a polícia italiana revistou o apartamento em que Luciano acabara de morrer, de ataque cardíaco, encontrou uma cigarreira de ouro com a inscrição “Para Charlie, do seu camarada Frank Sinatra”.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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