Dores de cabeça com
a Máfia de Luciano
Sinatra foi
denunciado pela primeira vez pelo repórter Robert Ruark, colunista da rede
Scripps–Howard, que acompanhava a visita do mafioso Lucky Luciano a Havana,
Cuba, em 1947. Lucky Luciano havia sido preso em 1936, nos Estados Unidos, e
conseguiu liberdade condicional dez anos depois, como reconhecimento do governo
norte–americano pelos seus relevantes esforços, durante a II Guerra, ajudando o
desembarque aliado na Sicília. Foi então deportado para a Itália.
Em 1947 – já no ano
seguinte, portanto – Luciano estava em Havana, hospedado no Hotel Nacional,
preparando–se para voltar ao território americano. O repórter Robert Ruark,
enviado especial a Cuba, fez uma série de reportagens mostrando que ele,
enquanto fazia sua escala na ilha, vinha sendo visitado pelos grandes
gângsteres da Máfia nos EUA. E, no dia 20 de fevereiro, Ruark publicava:
“Sinatra esteve
aqui por quatro dias na última semana, e durante esse tempo sua companhia em
público e em particular era Luciano, os guarda-costas de Luciano, e uma rica
coleção de jogadores e comparsas. A amizade foi linda. Eles eram vistos juntos
nas pistas de corridas, no cassino e em festas especiais. Além de Luciano, fui
informado de que Ralph Capone também estava presente… e ainda uma grande
variedade de assassinos que acham o Sul saudável no inverno, ou nos dias de
Grande Júri”.
Dizia-se que Sinatra
voou de Miami para Havana com Rocco e Joseph Fischetti, dois gângsteres
conhecidos. Mais tarde, em 1951, o repórter Lee Mortimer, do New York
Mirror, relatava aquele que dizia ser o propósito da visita de Sinatra a
Havana: entregar a Luciano dois milhões de dólares em cédulas de pequeno valor.
Sinatra respondeu
com um gracejo:
– Imaginem a mim, o
magro Frankie, carregando dois milhões de dólares em notas pequenas. Mil
dólares em notas de um dólar pesam um quilo e 300 gramas, o que significa que
eu teria que carregar 27.000 quilos. Mesmo supondo que as notas eram de 20
dólares, seria necessário uma dupla de estivadores para levá-las. Esta é sem
dúvida a mais ridícula acusação que já fizeram a mim… Eu embarquei para Havana
com uma pequena maleta em que carreguei meus óleos, as minhas anotações e jóias
pessoais, que nunca despacho com minha bagagem.
Aproximadamente
cinco anos mais tarde, na revista American Weekly, Sinatra voltaria
a falar do episódio:
– O que realmente
aconteceu em 1947 é que eu tirei uns dias de folga e decidi gozá-los em Havana
e na Cidade do México. No caminho, parei em Miami para um show beneficente para
o Fundo Damon Runyon Contra o Câncer. Encontrei Joe Fischetti lá, e quando ele
soube que eu ia para Havana, disse-me que ele e seus irmãos estavam indo
também, e mudaram suas reservas para estarem em meu vôo.
– Naquela noite eu
tomava um drinque no bar, com Connie Immerman, dono de um restaurante em Nova
York, e encontrei um grande grupo de homens e mulheres. Como sempre acontece em
grandes grupos, as apresentações foram superficiais. Fui convidado para jantar
com eles e, enquanto jantava, vi que um dos homens na festa era Lucky Luciano.
Percebi subitamente que estava me expondo a críticas ficando na mesa, mas não
consegui imaginar uma maneira de sair dali sem provocar uma cena.
– Depois do jantar
fui ao jogos de jai alai, e então, com alguém que eu acabara de conhecer, dei
um passeio pela noite. Finalmente fomos para o cassino, onde passamos por uma
mesa em que estavam Luciano e vários outros homens. Eles insistiram para que
sentássemos para um drinque, e, mais uma vez, para não provocar confusão, tomei
um rápido drinque e me retirei. Estas foram as únicas vezes em que vi Luciano
em minha vida.
Em 1962, em
Nápoles, quando a polícia italiana revistou o apartamento em que Luciano
acabara de morrer, de ataque cardíaco, encontrou uma cigarreira de ouro com a
inscrição “Para Charlie, do seu camarada Frank Sinatra”.

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