É
que vão ser elas...
com elas mesmo
Na quinta-feira, 25 de janeiro, a
ambiência noturna nos Açores quase representa o contraditório do resto do ano –
as mulheres são rainhas e senhoras da festa.
A celebração do “Dia das Amigas” trará a animação típica da efeméride. Aos
homens, pelo menos aos mais sensatos, restará o papel de ficar em casa a tomar
conta das criancinhas e, eventualmente para os de maior devoção, rezar a todos
os santos para os carros regressarem com o mesmo número de mossas e riscos.
Os restaurantes bem podem aproveitar para fazer ementas apropriadas a tão
especial clientela. As iscas com elas terão uma saída diabólica e o bacalhau
com todos é transformável em com todas.
As amigas estão absolutamente à vontade para irem à casa de banho aos magotes,
sem que tenham de ouvir os habituais comentários masculinos depreciativos.
Em absoluta verdade, os copos serão femininos. Ninguém terá de ouvir o
empregado de mesa a dizer algo do género: “um licor para a senhora e um
conhaque para o cavalheiro”.
O cenário é mais do que perfeito para as insondáveis “conversas de mulheres”.
As típicas reprimendas às caras-metades também representam uma hipótese
meramente académica. “Não bebas mais”, “estás a falar muito alto” e “já são
horas de voltarmos para casa” ficarão reservadas para posterior acontecimento
social.
Melhor: as amigas podem transgredir todas as regras que costumam tentar impor.
Os maridos, se não houver jogos de futebol pela noite dentro, já devem estar a
bom ressonar.
O melhor é beber mais uns copos e ir à discoteca “abanar o capacete”. Porém, é
bom terem em conta que ninguém consegue fugir ao seu próprio destino, a começar
pela pescada. A euforia, motivada por excessos gastronómicos e alcoólicos, é
sempre paga sob a forma de ressaca.
No dia seguinte, é que vão ser elas... com elas mesmo. O chão confunde-se com
mar de ondulação forte, o estômago irá dar pulos por uma canja, a cabeça vai
estar constantemente a ser alvo de um ataque à martelada e os olhos só estarão
bem protegidos com óculos de sol, mesmo que haja nevoeiro.
Nada que não se aguente. Garanto que, na última 6ª feira, só se escrevia
ressaca a masculino...
joaorochagenio@hotmail.com


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