Caixa
com textos inéditos de Fernando Pessoa é encontrada na África do Sul
MAURÍCIO
MEIRELES
COLUNISTA DA FOLHA
16/01/2016
Criança,
Fernando Pessoa gostava de pegadinhas. Metia-se em fantasias horripilantes para
assustar os empregados e, já então um fingidor, recrutava os irmãos para
pequenas peças em casa. Mas sentia um medo danado de trovão. Por isso,
escondia-se em locais escuros, cobrindo a cabeça para não ouvir o barulho.
O
relato sobre a infância do poeta está em uma carta inédita de Teca, sua
meia-irmã, enviada nos anos 1970 ao pesquisador britânico Hubert Jennings, um
dos primeiros biógrafos do poeta.
| O manuscrito compõe um conjunto de 2.000 documentos encontrados por um grupo de pesquisadores, após passar décadas em uma garagem na África do Sul, onde o poeta viveu criança. | |||
A descoberta foi feita em julho, quando os filhos de Jennings procuravam um local para o espólio do pai, morto há 23 anos, e tratada com discrição até agora. O conjunto de documentos de e sobre Pessoa foi transferido para a Universidade Brown nos EUA, que conta com um importante centro de estudos da literatura portuguesa.
Ainda
é cedo para dizer com exatidão tudo que há no espólio -mas um primeiro olhar
acaba de aparecer na "Pessoa Plural", revista de estudos pessoanos
publicada por Brown.
Há
transcrições de documentos do espólio de Pessoa —que Jennings visitou nos anos
1950, muito antes de o acervo ir para a BNP (Biblioteca Nacional de Portugal).
Como
a caligrafia do poeta é difícil de entender —às vezes, não dá para saber nem em
que língua os textos foram escritos—, o trabalho de Jennings serve de atalho.
O
inglês chegou a fazer um inventário do espólio pessoano, que deve ser
confrontado com o da instituição portuguesa, a fim de saber que documentos
podem ter se perdido.

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