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sábado, 20 de janeiro de 2018

Os "monstros sagrados" nunca serão esquecidos - Homenagem póstuma ao padre Ferreira Moreno


PÁSCOA DO DEUS-MENINO



É um facto - sem quaisquer laivos de heresia - que Jesus, durante a sua existência humana de adulto, nunca perdeu aquelas qualidades, tão características numa criança, tais como a capacidade em sorrir e chorar, partilhando em alegrias e sofrimento, vivendo na simplicidade do lar, e dependendo no carinho paternal, com inteira confiança e sem receios, reciprocando amor com respeito e obediência.

Isto, que agora escrevo, baseia-se explícitamente nas páginas dos Evangelhos, onde é fácil deduzir que Jesus respondia sempre, com uma ternura própria de criança, a todos quantos dele se aproximavam, vergados pelo fardo de problemas imponderáveis e arrastando doenças incuráveis... 

Uma vez, ao entrar em Naím, Jesus deparou com um funeral a caminho do cemitério, p'ró enterro do filho duma viúva. Sem «espalhafatos», mas movido tão somente pela meiguice do seu coração de criança, Jesus opera um milagre ressuscitando o jovem, até ali sem vida, e entrega-o à sua mãe, afastando-se imediatamente do acompanhmento, com aquele inocente sorriso de «fazer bem sem olhar a quem». 

Uma outra cena inesquécível da ressurreição dum morto teve lugar no cemitério de Betânia, onde o seu íntimo amigo, Lázaro, jazia sepultado há quatro dias... 

Ao dirigir-se a quem quer que fosse, Jesus agia como uma verdadeira criança. E é vê-lo, por exemplo, em Sychar, junto ao poço de Jacob, pedindo a uma Samaritana que lhe desse água p'ra saciar-lhe a sede, e refrescar-lhe o rosto queimado pelo sol. 

Um dia, ao atravessar a «baixa» de Jericó, onde a multidão se acomulava à sua passagem, Jesus estaciona subitamente, olha p'rá árvore onde Zacchaeus se encontrava «esganchado», e diz-lhe que «se chegue» p'ra casa a preparar uns petiscos, pois que era sua intenção (de Jesus) passar por lá, p'ra uma horas de convívio e bate-papa! 

E que dizer da «folia», que Jesus provocou, durante uma bodas de casamento?! 

Tal aconteceu em Caná, da Galileia, onde e quando Jesus transformou em vinho toda a água, que enchia seis grandes «talhões», cada qual contendo entre 20 a 30 galões d'água. A reacção do «connoisseur», que supervisionava a boda, certamente fez «explodir» do coração infantil de Jesus um interminável «repique» de gargalhadas! 

Recordo-me de um outro indicente, repleto de humor, que ocorreu em Capernaumm no dia em que os cobradores das taxas (do Templo) perguntaram a Pedro se Jesus as pagava. Evidentemente que Pedro respondeu afirmativamente... mas, «pelo sim, pelo não», ele decidiu transmitir a Jesus a conversa dos cobradores. 

Foi, então, que Jesus, com uma «charme» desconcertante, disse a Pedro que pegasse no caniço e isca, e fosse ao lago, e no primeiro peixe que encontraria nas guelras (do peixe) uma moeda, suficeinte p'ra pagar ao Templo as taxas de Jesus e de Pedro, também! 

O que acima fica transcrito é a verdade, pura e simples. E se pensam que estou a «brincar», pois aconselho a ler o versículo vigésimo-sétimo do capítulo décimo-sétimo do Evangelho de S.Mateus.
Pessoalmente, considero esta acção milagrosa de Jesus um autêntico «produto», brotado esbajadoramente da sua alma de criança. 

São a perder de conta as cenas de Jesus a divertir-se com as crianças à sua volta, e a «contar» histórias, tão lindas, acêrca das avezinhas e das flores, das ovelhas e cordeiros, da semente e da levedura... E foram várias as ocasiões em que Jesus, milagrosamente, forneceu e distribuíu a comida - mais do que sificiente - p'rá realização de piqueniques, com a presença de milhares e milhares de adultos e crianças! 

O Deus-Menino da manjedoura em Belém deu-nos a prova irrefutável de ser o mesmo Deus-Menino da cruz no Calvário... Jamais se ouviu um grito de criança, aterrorizada pela escuridão, como aquele grito de Jesus no alto da cruz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» 

E tal e qual como uma criança, cheia de confiança no seu inocente coração infantil, acaba por adormecer nos braços do seu pai, Jesus - assim mesmo - acaba os seus últimos momentos de vida na cruz, dizendo: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!» 

Numa sonolência tranquila, Jesus partíu a descansar nos braços de Deus-Pai, à semelhança do que aconteceu na madrugada, após a criação do universo. Ao tempo, ambos descansaram à espera da Estrela de Belém e do acordar do Deus-Menino do Natal. E, agora, descansam à espera da Estrela da Manhã e do acordar do Deus-Menino da Páscoa! 

Oxalá a nossa existência terrena seja coberta com as bençãos do Deus-Menino, desde a Meia-Noite da sua Incarnação até à Páscoa da sua Ressurreição! 


Pe. José A. Ferreira 
San Leandro, Califórnia



Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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