PÁSCOA DO DEUS-MENINO
É um facto - sem quaisquer laivos de heresia - que Jesus, durante a sua
existência humana de adulto, nunca perdeu aquelas qualidades, tão
características numa criança, tais como a capacidade em sorrir e chorar,
partilhando em alegrias e sofrimento, vivendo na simplicidade do lar, e
dependendo no carinho paternal, com inteira confiança e sem receios,
reciprocando amor com respeito e obediência.
Isto, que agora escrevo, baseia-se explícitamente nas páginas dos Evangelhos,
onde é fácil deduzir que Jesus respondia sempre, com uma ternura própria de
criança, a todos quantos dele se aproximavam, vergados pelo fardo de problemas
imponderáveis e arrastando doenças incuráveis...
Uma vez, ao entrar em Naím, Jesus deparou com um funeral a caminho do
cemitério, p'ró enterro do filho duma viúva. Sem «espalhafatos», mas movido tão
somente pela meiguice do seu coração de criança, Jesus opera um milagre
ressuscitando o jovem, até ali sem vida, e entrega-o à sua mãe, afastando-se
imediatamente do acompanhmento, com aquele inocente sorriso de «fazer bem sem
olhar a quem».
Uma outra cena inesquécível da ressurreição dum morto teve lugar no cemitério
de Betânia, onde o seu íntimo amigo, Lázaro, jazia sepultado há quatro
dias...
Ao dirigir-se a quem quer que fosse, Jesus agia como uma verdadeira criança. E
é vê-lo, por exemplo, em Sychar, junto ao poço de Jacob, pedindo a uma
Samaritana que lhe desse água p'ra saciar-lhe a sede, e refrescar-lhe o rosto
queimado pelo sol.
Um dia, ao atravessar a «baixa» de Jericó, onde a multidão se acomulava à sua
passagem, Jesus estaciona subitamente, olha p'rá árvore onde Zacchaeus se
encontrava «esganchado», e diz-lhe que «se chegue» p'ra casa a preparar uns
petiscos, pois que era sua intenção (de Jesus) passar por lá, p'ra uma horas de
convívio e bate-papa!
E que dizer da «folia», que Jesus provocou, durante uma bodas de
casamento?!
Tal aconteceu em Caná, da Galileia, onde e quando Jesus transformou em vinho
toda a água, que enchia seis grandes «talhões», cada qual contendo entre 20 a
30 galões d'água. A reacção do «connoisseur», que supervisionava a boda,
certamente fez «explodir» do coração infantil de Jesus um interminável
«repique» de gargalhadas!
Recordo-me de um outro indicente, repleto de humor, que ocorreu em Capernaumm
no dia em que os cobradores das taxas (do Templo) perguntaram a Pedro se Jesus
as pagava. Evidentemente que Pedro respondeu afirmativamente... mas, «pelo sim,
pelo não», ele decidiu transmitir a Jesus a conversa dos cobradores.
Foi, então, que Jesus, com uma «charme» desconcertante, disse a Pedro que
pegasse no caniço e isca, e fosse ao lago, e no primeiro peixe que encontraria
nas guelras (do peixe) uma moeda, suficeinte p'ra pagar ao Templo as taxas de
Jesus e de Pedro, também!
O que acima fica transcrito é a verdade, pura e simples. E se pensam que estou
a «brincar», pois aconselho a ler o versículo vigésimo-sétimo do capítulo
décimo-sétimo do Evangelho de S.Mateus.
Pessoalmente, considero esta acção milagrosa de Jesus um autêntico «produto»,
brotado esbajadoramente da sua alma de criança.
São a perder de conta as cenas de Jesus a divertir-se com as crianças à sua
volta, e a «contar» histórias, tão lindas, acêrca das avezinhas e das flores,
das ovelhas e cordeiros, da semente e da levedura... E foram várias as ocasiões
em que Jesus, milagrosamente, forneceu e distribuíu a comida - mais do que
sificiente - p'rá realização de piqueniques, com a presença de milhares e
milhares de adultos e crianças!
O Deus-Menino da manjedoura em Belém deu-nos a prova irrefutável de ser o mesmo
Deus-Menino da cruz no Calvário... Jamais se ouviu um grito de criança,
aterrorizada pela escuridão, como aquele grito de Jesus no alto da cruz: «Meu
Deus, meu Deus, por que me abandonaste?»
E tal e qual como uma criança, cheia de confiança no seu inocente coração
infantil, acaba por adormecer nos braços do seu pai, Jesus - assim mesmo -
acaba os seus últimos momentos de vida na cruz, dizendo: «Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito!»
Numa sonolência tranquila, Jesus partíu a descansar nos braços de Deus-Pai, à
semelhança do que aconteceu na madrugada, após a criação do universo. Ao tempo,
ambos descansaram à espera da Estrela de Belém e do acordar do Deus-Menino do
Natal. E, agora, descansam à espera da Estrela da Manhã e do acordar do
Deus-Menino da Páscoa!
Oxalá a nossa existência terrena seja coberta com as bençãos do Deus-Menino,
desde a Meia-Noite da sua Incarnação até à Páscoa da sua Ressurreição!
Pe. José A. Ferreira
San Leandro, Califórnia

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