Do Jornal Tribuna das Ihas
Pe. Joe Ferreira - Homem de Deus e
apaixonado Jornalista
No dia 21 de Dezembro de 2014
faleceu em Oakland, Califórnia, o Revdo. Joe Ferreira, mais conhecido por
Ferreira Moreno, jornalisticamente falando, por assim subscrever suas
apreciadas Crónicas assiduamente publicadas em periódicos nas duas Costas da
América e nos ex-Distritos açorianos.
Ainda a frequentar o Seminário
diocesano de Angra do Heroísmo, começou pelo “Diário dos Açores”, de São
Miguel, sua ilha natal (nasceu na Ribeira Grande) com a crónica:"Regresso
ao ninho” na altura em que os seminaristas eram chamados de estorninhos ou
melros pretos na dita cidade.
Paroquiava em Fermont,
Califórnia, quando em Novembro de 1969 me escreveu, dizendo: "Tenho
seguido com interesse as suas crónicas - Na Terra dos dólares - publicadas no
"Diário de Noticias" de New Bedford. Como tributo de amizade, escrevi
até uma carta ao Director do mesmo jornal, com referências ao seu trabalho”
que, com a devida autorização aproveitei para nota de abertura a segunda parte
do livro "Crónicas de Viagem".
E a 7 do mês seguinte recebi
outra correspondendo a pedido meu: “Considero uma honra escrever em exclusivos
para o “Correio da Horta”, um jornal que tem sido muito simpático para comigo,
acrescentando: “O meu amigo transcreva EM ESPECIAI todo e qualquer artigo meu,
publicado na imprensa insular".
Como também muito apreciei a
foto que em 1971 o distinto jornalista nos ofereceu num lindo gesto de mútua
amizade, e que ilustra estas linhas de homenagem póstuma que jamais esperava
estar agora a escrever.
Após ter deixado
voluntariamente a direcção do ido "Correio da Horta" em Junho de
1974, ausentando-me dois anos depois para Angra, o nosso contacto passou a ser
apenas em datas lembradas ou aquando da publicação de livros de que lhe enviava
um exemplar, recebendo naturalmente amáveis referências.
Aliás, o caso de ''Maria João,
Mulher de Fé”, editado no ano seguinte ao seu falecimento em Julho de 2006.
A partir de então a nossa
correspondência voltou a ser algo frequente, especialmente depois de lhe ter
enviado fotocópia de escrito no "Tribuna das Ilhas” - A língua do Padre
Avelino - a que se refere em Março de 2008, dizendo: “Perdoa-me o atrevimento
em reciprocar com um recorte da minha tribuna no quinzenário TRIBUNA PORTUGUESA
da Califórnia que, como já me havia dito “transcreve (ao gosto do editor) o que
mais lhe apetece um pouco do muito que vou publicando no semanário “Português
Times” de New Bedford.
Isto, naturalmente, antes de
ter reduzido a colaboração jornalista, a devido às dores que a coluna lhe
vinham a provocar, não permitindo estar muito tempo sentado a escrever.
Passou assim a entreter-se com
a leitura, devorando livros atrás uns dos outros, de preferência os clássicos
portugueses e brasileiros, e também os escritores açorianos.
A propósito, disse-me
recentemente: “com extraordinário interesse li um par de romances policiais
“Crime na Ilha Azul” e “Crime na Ilha Verde” da autoria de Amilcar
Goulart".
Naturalmente que continuou a
participar com gosto no “almoço-convívio” dos ribeiragrandenses, que se realiza
na primeira sexta-feira de cada mês no Centro Leonino de San Jose, tendo
chegado mesmo a esclarecer para que não houvesse dúvidas: “nada tem de
favoritismo clubistas, mas unicamente devido ao ambiente acolhedor”.
Dava até como exemplo: “a
cozinheira é natural do Porto, mas é uma benfiquista ferrenha”.
E ainda sobre a dita
confraternização, informava-me em carta de Setembro do ano findo: “no mais
recente almoço-convívio (com presença de 24 convivas) as iscas de fígado
estavam deliciosas, embora a maioria se ter virado ao rocaz. Participou neste
encontro o Álamo Oliveira, de visita a familiares aqui na Califórnia”.
Além de não esconder o seu
gosto por bons pratos de sabor regional açoriano, particularmente de São
Miguel, embora nunca falando da malagueta, era também um apaixonado pelo
futebol e sobretudo do hóquei sobre o gelo, sendo adepto do San Jose Sharks, da
National Hokay League.
As muitas crónicas, quiçá um
meio milhar, deram-me a convicção de que as suas homilias saiam do Templo para
a Imprensa em que o amor pelo próximo estava sempre presente nos mais variados
assuntos, a transbordar de conhecimentos de grande interesse para os leitores
sem conto de Jornais nos Açores e nas Comunidades Açóricas na América de Baixo
e na Califórnia.
Nos últimos anos, as sua cartas
eram geralmente sucintas, uma havendo, porém, que muito me cativou seu fecho:
“num aceno de despedida revoada de saudade recebe um abraço de muita amizade
sempre ao dispor”, uma qualidade do Bom Pastor que até foi uma vida inteira.
E foram, na verdade, décadas de
agradável correspondência quinzenal, em que já nos tratando por “tu” sem sermos
compadres, e sempre acompanhada de fotocópias para lá e para cá de escritos: os
meus mais em Tópicos e os do padre Joe em Crónicas e “Repiques da Saudade” uma
saudade que levou consigo para Deus.
(O autor não escreve ao abrigo
do novo acordo ortográfico)

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