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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Homenagem ao Padre Ferreira Moreno



Do Jornal Tribuna das Ihas

Pe. Joe Ferreira - Homem de Deus e apaixonado Jornalista


Escrito por  Armando Amaral

No dia 21 de Dezembro de 2014 faleceu em Oakland, Califórnia, o Revdo. Joe Ferreira, mais conhecido por Ferreira Moreno, jornalisticamente falando, por assim subscrever suas apreciadas Crónicas assiduamente publicadas em periódicos nas duas Costas da América e nos ex-Distritos açorianos.

Ainda a frequentar o Seminário diocesano de Angra do Heroísmo, começou pelo “Diário dos Açores”, de São Miguel, sua ilha natal (nasceu na Ribeira Grande) com a crónica:"Regresso ao ninho” na altura em que os seminaristas eram chamados de estorninhos ou melros pretos na dita cidade.
Paroquiava em Fermont, Califórnia, quando em Novembro de 1969 me escreveu, dizendo: "Tenho seguido com interesse as suas crónicas - Na Terra dos dólares - publicadas no "Diário de Noticias" de New Bedford. Como tributo de amizade, escrevi até uma carta ao Director do mesmo jornal, com referências ao seu trabalho” que, com a devida autorização aproveitei para nota de abertura a segunda parte do livro "Crónicas de Viagem".
E a 7 do mês seguinte recebi outra correspondendo a pedido meu: “Considero uma honra escrever em exclusivos para o “Correio da Horta”, um jornal que tem sido muito simpático para comigo, acrescentando: “O meu amigo transcreva EM ESPECIAI todo e qualquer artigo meu, publicado na imprensa insular".
Como também muito apreciei a foto que em 1971 o distinto jornalista nos ofereceu num lindo gesto de mútua amizade, e que ilustra estas linhas de homenagem póstuma que jamais esperava estar agora a escrever.
Após ter deixado voluntariamente a direcção do ido "Correio da Horta" em Junho de 1974, ausentando-me dois anos depois para Angra, o nosso contacto passou a ser apenas em datas lembradas ou aquando da publicação de livros de que lhe enviava um exemplar, recebendo naturalmente amáveis referências.
Aliás, o caso de ''Maria João, Mulher de Fé”, editado no ano seguinte ao seu falecimento em Julho de 2006.
A partir de então a nossa correspondência voltou a ser algo frequente, especialmente depois de lhe ter enviado fotocópia de escrito no "Tribuna das Ilhas” - A língua do Padre Avelino - a que se refere em Março de 2008, dizendo: “Perdoa-me o atrevimento em reciprocar com um recorte da minha tribuna no quinzenário TRIBUNA PORTUGUESA da Califórnia que, como já me havia dito “transcreve (ao gosto do editor) o que mais lhe apetece um pouco do muito que vou publicando no semanário “Português Times” de New Bedford. 
Isto, naturalmente, antes de ter reduzido a colaboração jornalista, a devido às dores que a coluna lhe vinham a provocar, não permitindo estar muito tempo sentado a escrever.
Passou assim a entreter-se com a leitura, devorando livros atrás uns dos outros, de preferência os clássicos portugueses e brasileiros, e também os escritores açorianos.
A propósito, disse-me recentemente: “com extraordinário interesse li um par de romances policiais “Crime na Ilha Azul” e “Crime na Ilha Verde” da autoria de Amilcar Goulart". 
Naturalmente que continuou a participar com gosto no “almoço-convívio” dos ribeiragrandenses, que se realiza na primeira sexta-feira de cada mês no Centro Leonino de San Jose, tendo chegado mesmo a esclarecer para que não houvesse dúvidas: “nada tem de favoritismo clubistas, mas unicamente devido ao ambiente acolhedor”.
Dava até como exemplo: “a cozinheira é natural do Porto, mas é uma benfiquista ferrenha”.
E ainda sobre a dita confraternização, informava-me em carta de Setembro do ano findo: “no mais recente almoço-convívio (com presença de 24 convivas) as iscas de fígado estavam deliciosas, embora a maioria se ter virado ao rocaz. Participou neste encontro o Álamo Oliveira, de visita a familiares aqui na Califórnia”.
Além de não esconder o seu gosto por bons pratos de sabor regional açoriano, particularmente de São Miguel, embora nunca falando da malagueta, era também um apaixonado pelo futebol e sobretudo do hóquei sobre o gelo, sendo adepto do San Jose Sharks, da National Hokay League.
As muitas crónicas, quiçá um meio milhar, deram-me a convicção de que as suas homilias saiam do Templo para a Imprensa em que o amor pelo próximo estava sempre presente nos mais variados assuntos, a transbordar de conhecimentos de grande interesse para os leitores sem conto de Jornais nos Açores e nas Comunidades Açóricas na América de Baixo e na Califórnia.
Nos últimos anos, as sua cartas eram geralmente sucintas, uma havendo, porém, que muito me cativou seu fecho: “num aceno de despedida revoada de saudade recebe um abraço de muita amizade sempre ao dispor”, uma qualidade do Bom Pastor que até foi uma vida inteira.
E foram, na verdade, décadas de agradável correspondência quinzenal, em que já nos tratando por “tu” sem sermos compadres, e sempre acompanhada de fotocópias para lá e para cá de escritos: os meus mais em Tópicos e os do padre Joe em Crónicas e “Repiques da Saudade” uma saudade que levou consigo para Deus.

(O autor não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico)
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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