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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

De Osvaldo Cabral - Jornalista e Direetor do Diário dos Açores



O SR. MINISTRO MANDA E A GENTE OBEDECE

O apagado ministro do Planeamento, Pedro Marques, foi ao parlamento para uma audição onde falou sobre o subsídio social de mobilidade para as Regiões Autónomas e fez uma declaração muito curiosa.
Disse que há um grupo de trabalho que está a estudar o assunto... mas logo a seguir ditou a sentença: o subsídio vai passar a ser definido no âmbito das competências das Regiões Autónomas e criticou o governo anterior por ter imposto um modelo de subsídio que "quase triplicou os custos" para o Estado, enquanto as pessoas "pagam o mesmo ou mais do que pagavam antes desta famosa alteração".

Ou seja, o ministro fez duas coisas desajeitadas, sem se aperceber.
Primeiro, já decidiu como vai ser o modelo.
O grupo de trabalho, se tivesse vergonha, já se tinha metido na alheta.
Segundo, sem querer elogiou o governo anterior.
Ao dizer que o governo de Passos Coelho impôs um modelo que triplicou os custos, sem nenhum tecto, nós, açorianos, só temos a agradecer, porque o Estado não fez mais do que o seu dever.
O subsídio de mobilidade é uma obrigação do Estado, em nome da continuidade territorial, garantida na Constituição.
Contrariar essa obrigação, é rejeitar o princípio da mobilidade para todos os cidadãos e impor um estatuto de menoridade aos que vivem nas ilhas.
O que o ministro veio dizer é grave, porque está a preparar o próximo modelo para impor um tecto na atribuição do subsídio por parte do governo da república, empurrando para as Regiões Autónomas o financiamento acima desse tecto.
O que o ministro Pedro Marques quer dizer é muito simples: os senhores ilhéus só podem viajar até um determinado montante, quando ultrapassarem o valor estipulado pelo Estado, ficam por sua conta e risco.
É um convite ao regime anterior. É andar para trás.
Não há surpresa nenhuma.
A partir do momento em que o Governo Regional dos Açores desistiu de enfrentar o Governo de António Costa, em nome dos nossos direitos e a favor dos interesses partidários, já vale tudo.
Um só ministro já diz qual o nosso destino e o executivo de Vasco Cordeiro limita-se, como vem sendo costume, a curvar-se perante a arrogância centralista.
Yes Minister!
2 - O SR. VICE-PRESIDENTE DIZ E A GENTE ACREDITA...
Mais uma pérola da Vice-Presidência do Governo Regional dos Açores.
Ficamos a saber que acaba de ser atribuído à falida Sinaga mais um subsídio de 365 mil euros para... regular o mercado!
Regular o mercado? O do açúcar? Mas ele anda desregulado? Os supermercados e as mercearias nesta terra estão com problemas na venda de açúcar?
Claro que não.
É mais um dos habituais "esquemas" do Governo Regional - que se está a revelar o pior da nossa História - para suportar o pagamento dos altos juros da brutal dívida bancária e os salários dos restantes 26 trabalhadores e três administradores que lá ficaram... a empacotar açúcar.
O descaramento já é tão grande que tudo é permitido.
Já todos percebemos quem precisava de ser regulado.
Janeiro, 2018
Osvaldo Cabral
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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