Todas as fichas por
um lugar na eternidade
Em 1952, casado com
Ava Gardner logo após o divórcio de Nancy, Frank Sinatra apaixonou-se por um
soldado. Um soldado de ficção, o torturado Angelo Maggio da obra de James
Jones, que ficou conhecendo ao ler o roteiro de From Here to Eternity(A
Um Passo da Eternidade). Ele sentiu que o papel do soldado Maggio era o seu
papel, e que aquela poderia ser a maior chance de sua vida desde o dia em que,
num show em Hoboken, com Nancy ao seu lado, decidiu seguir os passos de Bing
Crosby.
Só que Harry Cohn,
o chefe dos estúdios Paramount, disse não a Sinatra e anunciou que contrataria
Eli Wallach. Sinatra contra-atacou. Em primeiro lugar, pediu a Ava Gardner que
tentasse convencer Cohn. Ela não conseguiu. Pediu então que Ava tentasse
convencer a mulher de Cohn a convencê-lo. Nada. Sinatra foi ao produtor do
filme, Buddy Adler. Adler disse não. Sinatra marcou um encontro com o próprio
Cohn. “Nós precisamos de um ator. Você é um cantor, não um ator” – disse–lhe
Cohn. Sinatra respondeu que, como em outras produções, queria apenas 150.000
dólares pelo papel. Cohn abanou a cabeça. Sinatra mandou dizer que aceitaria
1.000 dólares por semana, 8.000 dólares pelo total de oito semanas, o tempo da
produção.
Cohn mandou-lhe um
telegrama: o papel era dele.
Esta é a história
oficial. A lenda – algo que jamais poderá ser dissociado do nome Frank Sinatra
– é outra, e milhões de pessoas a leram e viram nas telas, em O
Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola e Mario Puzo. Don Corleone – seria
novamente o senhor Moretti? – “convenceu” o produtor a entregar o papel a
Frank. Harry Cohn teria cedido depois que a cabeça de seu cavalo de 500.000
dólares foi cortada e colocada em sua cama, enquanto dormia.
Mario Puzo tem uma
interessante história a contar. Ele havia acabado de escrever The
Godfather, O Chefão, e o manuscrito estava com seus editores.
Começaram a surgir mexericos de que, um dos personagens, Johnny Fontane – um
cantor que, com a ajuda da Máfia, consegue um papel em um filme – havia sido
inspirado em Frank Sinatra. Antes da publicação do livro, os editores receberam
uma carta dos advogados de Frank pedindo para ver o texto. O que foi
polidamente recusado.
– No ano seguinte –
conta Mario Puzo – quando trabalhava no script, fui convidado para uma festa de
um milionário em Hollywood. John Wayne e Sinatra estavam lá. Na saída, o
milionário pegou-me pelo braço e me levou até um grupo de pessoas. ‘É preciso
que você conheça Frank,’ – disse – ‘é um dos meus melhores amigos. Eu gostaria
que você conhecesse Mario Puzo,’ – disse ele a Sinatra – ‘é um dos meus
amigos’. ‘Acho que não tenho vontade de conhecê-lo’, – respondeu Sinatra.
– O milionário se
desmanchou em desculpas. Quase chorava. ‘Frank, estou desolado, meu Deus,
Frank, eu não sabia, estou angustiado…’
– Sinatra
cortou–lhe a palavra. Com sua voz de veludo, disse–lhe: ‘A culpa não é sua’.
– Eu sempre evito
discussões, –continua Puzo – mas não pude deixar de dizer a Sinatra: ‘Escute, a
idéia não partiu de mim’.
– Então aconteceu a
coisa mais extraordinária possível. Sinatra enganou-se completamente com o
sentido de minha resposta. Pensou que eu me desculpava pelo personagem Johnny
Fontane.
– Voz amável,
ele perguntou: ‘Quem mandou você botar isso no seu livro – seu editor?’
– Fiquei
estupefato. Finalmente disse: ‘Estou falando dessa idéia de nos apresentarem um
ao outro’. Então Sinatra começou a insultar–me. Fiquei com a impressão de que
ele detesta meu romance e pensa que eu o ataquei pessoalmente ao criar Johnny
Fontane”.

Sem comentários:
Enviar um comentário