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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Recordando um dos meus ídolos - Frank Sinatra


Todas as fichas por
um lugar na eternidade
Em 1952, casado com Ava Gardner logo após o divórcio de Nancy, Frank Sinatra apaixonou-se por um soldado. Um soldado de ficção, o torturado Angelo Maggio da obra de James Jones, que ficou conhecendo ao ler o roteiro de From Here to Eternity(A Um Passo da Eternidade). Ele sentiu que o papel do soldado Maggio era o seu papel, e que aquela poderia ser a maior chance de sua vida desde o dia em que, num show em Hoboken, com Nancy ao seu lado, decidiu seguir os passos de Bing Crosby.

Só que Harry Cohn, o chefe dos estúdios Paramount, disse não a Sinatra e anunciou que contrataria Eli Wallach. Sinatra contra-atacou. Em primeiro lugar, pediu a Ava Gardner que tentasse convencer Cohn. Ela não conseguiu. Pediu então que Ava tentasse convencer a mulher de Cohn a convencê-lo. Nada. Sinatra foi ao produtor do filme, Buddy Adler. Adler disse não. Sinatra marcou um encontro com o próprio Cohn. “Nós precisamos de um ator. Você é um cantor, não um ator” – disse–lhe Cohn. Sinatra respondeu que, como em outras produções, queria apenas 150.000 dólares pelo papel. Cohn abanou a cabeça. Sinatra mandou dizer que aceitaria 1.000 dólares por semana, 8.000 dólares pelo total de oito semanas, o tempo da produção.
Cohn mandou-lhe um telegrama: o papel era dele.
Esta é a história oficial. A lenda – algo que jamais poderá ser dissociado do nome Frank Sinatra – é outra, e milhões de pessoas a leram e viram nas telas, em O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola e Mario Puzo. Don Corleone – seria novamente o senhor Moretti? – “convenceu” o produtor a entregar o papel a Frank. Harry Cohn teria cedido depois que a cabeça de seu cavalo de 500.000 dólares foi cortada e colocada em sua cama, enquanto dormia.
Mario Puzo tem uma interessante história a contar. Ele havia acabado de escrever The GodfatherO Chefão, e o manuscrito estava com seus editores. Começaram a surgir mexericos de que, um dos personagens, Johnny Fontane – um cantor que, com a ajuda da Máfia, consegue um papel em um filme – havia sido inspirado em Frank Sinatra. Antes da publicação do livro, os editores receberam uma carta dos advogados de Frank pedindo para ver o texto. O que foi polidamente recusado.
– No ano seguinte – conta Mario Puzo – quando trabalhava no script, fui convidado para uma festa de um milionário em Hollywood. John Wayne e Sinatra estavam lá. Na saída, o milionário pegou-me pelo braço e me levou até um grupo de pessoas. ‘É preciso que você conheça Frank,’ – disse – ‘é um dos meus melhores amigos. Eu gostaria que você conhecesse Mario Puzo,’ – disse ele a Sinatra – ‘é um dos meus amigos’. ‘Acho que não tenho vontade de conhecê-lo’, – respondeu Sinatra.
– O milionário se desmanchou em desculpas. Quase chorava. ‘Frank, estou desolado, meu Deus, Frank, eu não sabia, estou angustiado…’
– Sinatra cortou–lhe a palavra. Com sua voz de veludo, disse–lhe: ‘A culpa não é sua’.
– Eu sempre evito discussões, –continua Puzo – mas não pude deixar de dizer a Sinatra: ‘Escute, a idéia não partiu de mim’.
– Então aconteceu a coisa mais extraordinária possível. Sinatra enganou-se completamente com o sentido de minha resposta. Pensou que eu me desculpava pelo personagem Johnny Fontane.
 – Voz amável, ele perguntou: ‘Quem mandou você botar isso no seu livro – seu editor?’

– Fiquei estupefato. Finalmente disse: ‘Estou falando dessa idéia de nos apresentarem um ao outro’. Então Sinatra começou a insultar–me. Fiquei com a impressão de que ele detesta meu romance e pensa que eu o ataquei pessoalmente ao criar Johnny Fontane”.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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