Eça de Queirós foi um escritor sempre atento
e reativo às transformações culturais que o rodeavam, às inovações literárias
que ia testemunhando e aos grandes movimentos da história do seu tempo. Alguns
exemplos: Em 1866, com pouco mais de vinte anos, Eça já escrevia sobre
Baudelaire e sobre Flaubert; nos anos 70 percebeu o impacto social que o
realismo poderia ter numa
sociedade que carecia de reformas profundas; pouco
depois (em parte graças à crítica que Machado de Assis lhe endereçou, quando da
publicação d’O Primo Basílio),
percebeu os exageros e as deformações do naturalismo e foi-se afastando dele; já
em fim de século, observou, a partir de Paris, onde era cônsul, os excessos, as
contradições e alguns equívocos de uma civilização que se queria fundada no
desenvolvimento científico e tecnológico, na produção industrial desenfreada,
na disputa pelas matérias-primas em regime de exploração colonial.
(Extrato de entrevista ao jornal Estado de São Paulo, por
ocasião da iniciativa “Míngua Língua, Minha Pátria”).

Sem comentários:
Enviar um comentário