JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Do poeta-jornalista-escritor José do Carmo Francisco



 Balada para Teresa Silva Carvalho

A tua voz tem a voz da Terra e do Mar
Voz com todo o tempo do Mundo
Uma voz que não se cansa de cantar
Num registo extenso e tão profundo.
Somos todos os filhos da madrugada

Que trazemos os caminhos no olhar
Escolhemos um roteiro noutra estrada
Onde ouvimos toda a Terra a respirar.
Há canções que se elevam da planície
Da monda, doutros trabalhos sazonais
Num CD de tão pequena superfície
Se juntam os seus sintomas e os sinais.
A tua voz é uma viagem pequenina
À terra da sementeira e da colheita
Traz uma canção que não termina
Porque tem o rigor de ser perfeita.

José do Carmo Fran


 Rua Sacadura Cabral (Montijo)

A minha infância cabe toda numa telefonia
Onda curta, média, modulação de frequência
O telefone que toca sempre ao fim do dia
Matos Maia sabe como manter a audiência.
O senhor Messias abre o dia na Rádio Rural
Para o «serviço seis, sala quatro, cama dois»
A radionovela parava então um certo Portugal
Até aos sete anos fui aquilo que serei depois.
«Candeeiros bem bonitos, modernos, originais»
Ouvia eu de Lisboa nos Emissores Associados
Hoje sei que tudo isso foi para nunca mais
Porque os modelos estão todos ultrapassados.
O comboio para Setúbal parava na Jardia
Montijo tinha uma estação CP hoje perdida
A minha infância ficou dentro da telefonia
Perdida em todas as mudanças desta vida. 

José do Carmo Francisco

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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