JOÃO DE MELO
JOÃO DE MELO
AMÉRICA, AMÉRICA!
Impossível calar esta revolta. Aquilo que o estuporado do Trump fez às crianças mexicanas, filhas de emigrantes e refugiados clandestinos, separando-as dos pais e albergando-as em gaiolas que não disfarçam as grades de uma prisão infantil – é um crime monstruoso contra a humanidade. Carece de julgamento e
merece castigo. As imagens dizem o que não é possível fazê-lo com palavras. Falam-nos de pânico e choro trágico nos pequenos rostos assustados. Os olhos não iludem a ideia do trauma para toda a vida. A maldade dos sistemas, e daqueles homens maus que falam outra língua do lado de lá da fronteira mexicana, vai ser uma nódoa negra para sempre. Nenhum destino apagará do pensamento e da alma das pobres crianças essa mancha do desespero que é também a da nossa vergonha. É fatal que daqui em diante pensem que lhes vale mais a miséria no colo dos pais do que os sonhos e as riquezas prometidas da América. Continuo sem perceber como foi possível o povo americano ter elegido um Trump depois de Obama. Ou melhor, talvez signifique algo de muito óbvio: a América não é de ninguém se fiar, porque a América é capaz de tudo e mais alguma coisa.

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