A família Dias Afonso
Pela passagem do seu nonagésimo aniversário, o jornalista-escritor, João Dias Afonso, foi recentemente homenageado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Ainda bem que essa justíssima homenagem ocorreu com o personagem ainda no rol dos vivos, ao invés do que aconteceu com outras personalidades marcantes do burgo angrense. Recordo, por exemplo, Emílio Ribeiro, para apenas falar deste.
Ora, João Afonso, que também foi um co-fundador do Diário Insular, prestou relevantes serviços à mídia terceirense, concretamente ao Diário Insular e A União. Tive a particularidade de conhecer João Dias Afonso em ambos os jornais pela ordem acima colocada. Para comigo foi sempre uma pessoa altamente correta e chegou, inclusive, a dar-me conselhos sobre o que eu escrevia óbvio nas situações em que ele próprio discordava. E confesso que nesse aspecto me foi muito útil, para mais que eu na altura tinha muito que aprender. Aliás, hoje digo o mesmo, ou seja, continuo aprendendo com aqueles que sabem mais do que eu. Ainda em relação a João Afonso, gostei de uma gazetilha que ele publicou em A União no dia (10 de março de 1989) em que eu celebrava os meus 25 anos de jornalismo. E já passaram quase 25 anos. Como o tempo correu célere. Mas é com inteira satisfação que me associo à homenagem que João Afonso recebeu da edilidade angrense.
O título com que encimei este artigo foi com o intuito de, também, não esquecer o irmão de João Afonso, o meu querido amigo José Nuno Dias Afonso, o "próf" como eu sempre lhe chamava. José Afonso tinha uma forma muito peculiar de lidar com as pessoas, maior incidência quando passou pela Associação de Futebol de Angra do Heroísmo na qualidade de funcionário, isto quando a AFAH funcionava das 19 às 22 horas, se a memória não me atraiçoa. Creio que nenhum clube terceirense teve razões de queixa de José Nuno Afonso, visto que tratava todos no mesmo pé de igualdade. Depois, já reformado, José Afonso não deixou de acompanhar a atividade desportiva da nossa terra, mantendo-se ligado aos jornais e era um dos meus assíduos leitores. Muitas vezes o encontrava na Tabacaria Angra lendo as notícias do desporto, ora no Diário Insular ora em A União, até porque, desportiva e jornalisticamente falando, havia um salutar despique entre os dois OCS.
Outro fato curioso: quando Carlos Miranda começou a publicar em A Bola a "Tribo de A Bola", José Nuno Afonso dizia-me sempre: "o seu dia também chegará". Recebia esta mensagem sempre com um sorriso nos lábios, vindo ela de uma pessoa que sempre me considerou. E esse dia chegou com Carlos Miranda a falar da minha pessoa em relação às notícias e reportagens dos Açores por mim enviadas. E o mais curioso é que, nessa edição em que era publicada a "Tribo de A Bola", foi, por opção do próprio Carlos Miranda, colocada a minha foto. Alguns dias depois, José Nuno Afonso veio me felicitar e consigo trazia uma cópia dessa coluna ("Tribo de A Bola" era mesmo uma coluna do jornal) para me oferecer.
Temos, pois, que reconhecer que a família Dias Afonso fez muito pela ilha Terceira. Pena, realmente, que o José Dias Afonso foi esquecido. Mas fica a satisfação pelo fato da homenagem a João Dias Afonso ter sido prestada com ele a comemorar os seus 90 anos de idade. Parabéns!

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