RECORDAR
NESTA QUADRA
Transformo
o Copacabana de novo na loja do Tio João. Quem não era cliente naquela altura
fica de fora. Será que o José Henrique Pimpão era cliente? Ele que é um
frequentador assíduo do Copacabana. E outros e outros, como aqueles que, no
Verão, estão sentados fora da porta, tomando uma fresquinha e descosendo em
quem passa. Na loja do Tio João, ou se ficava ao balcão ou, então, uma viagem
para o fundo da loja. Ali estávamos mais à-vontade. Não é
que tivéssemos receio das más-línguas. Nada disso. É que,
também, o João Celestino preferia assim. E, na companhia do filho, Tio João não
ficava aborrecido, mesmo que ali estivessem alguns “verdes”. Não se misturava a
amizade com clubismo, mas, de quando em vez, vinha uma daquelas interessantes
piadinhas anti-Lusitânia. Claro, tinha que ser.
E se neste
Natal lá estivéssemos todos juntos? A desobriga, naturalmente, seria a dobrar.
Pago eu, pagas tu, paga ele, mas não era por aí que o “gato-iria-à-filhós”. Nem
tampouco seria necessário jogar à moedinha para ver quem pagava. A malta não
entrava nessa, nem que um tivesse que pagar a semana inteira (exceto sábados e
domingos).
Vou fechar
a loja do Tio João, passar de novo o alvará para o Café Copacabana e enviar a
seguinte mensagem para o Macide: “alô Max, o João Bendito tem um armazém de
bebidas em miniatura. Qualquer dia, vamos lá fazer uma visitinha e colocamos
uma enorme foto do Tio João para recordarmos de novo a desobriga”.
E é esse maravilhoso
tempo que me obrigou a falar de novo.
Obrigado,
ao proprietário do Copacabana (é cara eu estou aqui no Rio de Janeiro) por me
ter autorizado a mudar o alvará por alguns momentos. Afinal, foram só uns
minutinhos. Se um dia voltar aí, prometo que tomarei um café duplo. Mas,
francamente, gostaria de ver nesse café a foto do Tio João. Aqui fica a
sugestão, não rima, mas encosta.

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