Há poucas horas vi postada no facebook uma foto relacionada com o naufrágio (fora da baía das Velas) do iate Espírito Santo, tragédia que ocorreu em julho do ano de 1976. Nessa altura, estava eu em São Jorge com as equipas de juvenis do Angrense (do qual era eu treinador) e do Lusitânia. Foi uma jornada de propaganda do futebol, manchada com o desastre do iate Espírito Santo que saia das Velas com destino á cidade da Horta.
Em boa hora, no ano de 1976, a Delegação dos Desportos de Angra do
Heroísmo, então dirigida por esse carismático e dinâmico homem do desporto,
Luís Carlos de Noronha da Silveira Bretão, as equipas de juvenis do Lusitânia e
do Angrense, respectivamente, primeiro e segundo classificados do Campeonato da
Terceira de Juvenis, deslocaram-se às ilhas de São Jorge e Graciosa, numa jornada
de propaganda de futebol que, verdade se diga, correspondeu aos anseios dos
promotores.
O Lusitânia era treinado por Orlando Borges, que acabou por não se
deslocar, sendo substituído pela dupla Paulo Marcelino – João Amaro, enquanto
que eu comandei o Angrense nessa mesma época. O campeonato terminou com a
diferença de um ponto, tendo o Angrense apenas perdido os dois jogos com o
Lusitânia, com uma excelente formação, enquanto que o Angrense se evidenciou
pelo querer dos seus jogadores, acabando alguns por atingir uma bitola que,
inicialmente, não se previa. Quer isto dizer que valeu a pena o trabalho
desenvolvido por todos nós.
Com a representação da DGD confiada a Fernando Alvarino Vieira, os 15 dias
de digressão foram bem aproveitados, social e desportivamente falando. Um ou
outro caso acabou por não manchar, de forma alguma, o espírito que norteou essa
ida a duas das chamadas “ilhas de baixo”. Triste o fato de termos constatado,
após o regresso de um passeio, o naufrágio do Espírito Santo na baía das Velas,
o que motivou, infelizmente, algumas mortes. Esse desastre também preocupou
muitos familiares dos jovens jogadores, atendendo a que correu a notícia de que
estávamos a bordo do barco sinistrado. Nada disso. Não tive mãos a medir com
telefonemas dirigidos para o restaurante do Roma, onde nos encontrávamos no
final daquela tarde.
Um dos aspectos mais importantes foi a camaradagem entre todos e, também, os
mistos que foram formados para defrontar seniores de São Jorge e Graciosa. Eu,
o Paulo e o Amaro fizemos bem a divisão de valores o q.b. para ganharmos os
jogos.
Muitos desses jovens acabaram por ascender às categorias principais dos
respectivos clubes, mas claro que, hoje, resta a saudades da esmagadora
maioria, apesar de alguns se terem firmado, posteriormente, como treinadores e
dirigentes. Um deles, inclusive, hoje está ligado ao Gabinete Técnico da
Federação Portuguesa de Futebol. Trata-se do professor Luís Carlos Couto,
reconhecido pelo seu “ex professo” e também com a particularidade de ser um
distinto animador de grupo.

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