Frases e artigos de Baptista Bastos
· O egoísmo, a insensibilidade, a
frieza de espírito, nascidos de um sistema que liquida os laços sociais de que
a humanidade é fundamento, determinam e talvez expliquem este nosso amargo
tempo.
Morre-se de amor. Também se morre
dessa doença cruel e implacável, que a sociedade moderna criou e parece não
estar muito preocupada em exterminar - o desprezo pelos outros.
Jornal de Negócios
Um país sem memória, ou que não
cultiva a recordação das coisas, está irremediavelmente condenado.
Jornal de Negócios
O rancor e o ressentimento não são,
apenas, produtos das injustiças sociais. São-no, também, resultados do medo.
Jornal de Negócios
A nossa sociedade está a
desmoronar-se e ninguém lhe acode. Os laços sociais estão a desaparecer,
substituídos por um sistema de valores em que impera a vacuidade, o poder da «competitividade»
como força motriz - e não é. Há tempo para tudo, diz o Eclesiastes. Mas a
verdade é que os «tempos» foram pulverizados pela urgência de não se sabe bem o
quê. A frase mais comum que ouvimos é: «Não tenho tempo para»; para quê? A
correria mina as relações de civismo e de civilidade; está a roer os alicerces
da família; a família deixou de ser o núcleo das nossas próprias defesas; e
vamos perdendo o rasto dos nossos filhos, dos nossos amigos, dos nossos
camaradas, dos nossos companheiros. A azáfama nos locais de trabalho é o sinal
das nossas fragilidades e dos nossos medos. Estamos com medo de tudo, inclusive
de confiar em quem, ainda não há muito, seríamos capazes de confidenciar o
impensável.
Jornal de Negócios
A degradação da vida empresarial
resulta dessa cartografia de horrores que consiste nos objectivos a atingir,
nas etapas que se tem de percorrer, e dos lucros que terão de ser rápidos e
vultosos. O «gestor» é muitíssimo bem pago para ser um cão-de-fila. Um universo
sem paixões, gelado, uma mistura de indiferença humana com uma selvajaria
abstracta.
Jornal de Negócios
Vivemos numa época em que o que se
diz ser é o que conta. Mas precisamos de enfrentar esse ardil e resistir à
falácia.
Diário de Notícias
Somos pertença de uma casta que se
alterna no poder e asfixia-nos com decisões erradas e sem nenhuma preocupação
pelo nosso futuro.
Diário de Notícias
A Imprensa precisa sempre de vítimas
e de carrascos, de santos com defeito e de heróis evasivos. Uns e outros fazem
as primeiras páginas e alvoroçam os leitores. A vida dos jornalistas é uma
triste configuração do Sísifo mitológico. A vida dos leitores é uma melancolia
privada. Ambos rejubilam com um escândalo, por modesto que seja, ou com uma
frase que passeie, desgarrada, por aqui ou por ali. Durante vinte e quatro
horas, o bulício anima-os.
Diário de Notícias
A insistência doentia, quase hora a
hora, no futebol, nos comentários, nas previsões, nas análises remove do
português comum qualquer reflexão acerca da sua própria situação social. As
agendas dos jornais, os alinhamentos e as opções das televisões e das rádios
merecem uma vigilância crítica dos próprios profissionais. O que não existe.
Manifesta-se uma total subserviência aos imperativos do que dizem ser as
exigências do público. É uma velha pecha e uma desculpa fatigante de quem
abdicou do dever mais sagrado da comunicação social: informar e esclarecer para
formar.
Jornal de Negócios

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