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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Da jornalista Tânia Voss


Adriana Calcanhoto mata a saudade dos fãs brasileiros

                                                      
Final de semana abençoado na cidade de São Paulo, com suas canções. Adriana Calcanhoto voltou a terrinha para mostrar sua mais nova diversidade, brasilidade misturada a cultura portuguesa. "A Mulher do Pau Brasil",o show que
estreou em Portugal e, desde agosto, percorre as principais cidades do Brasil. Ela acaba de apresentar três super shows para a alegria dos fãs paulistanos, no Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros, em São Paulo. Visual e palco com iluminação nas cores preto e vermelho. Simples e luxuoso.

Curioso que, esse novo show foi idealizado como “concerto-tese”, ou seja, uma conclusão da residência artística de Adriana Calcanhoto na Universidade de Coimbra, onde esteve nos últimos dois anos entre cursos e apresentações.

Mas com o imenso sucesso, gerou uma turnê, que começou pela Europa, e agora chegou ao Brasil. Com um riquíssimo repertório, a cantora agradou e não parou mais. Acompanhada por Bem Gil e Bruno di Lullo, Adriana elaborou um roteiro com músicas compostas durante sua estada no país lusitano; releituras (a exemplo da recente ‘As Caravanas’, de Chico Buarque), além dos seus já conhecidos clássicos como ‘Inverno’, ‘Vambora’, ‘Esquadros’ e etc.

A inédita canção-título abriu o show em tom autobiográfico (‘Nasceu no Sul / Foi para o Rio / E amou como nunca se viu’) e também retomou o nome de um espetáculo do início da carreira de Adriana (‘A Mulher do Pau Brasil’), ainda em Porto Alegre nos anos 80. Foi quando começou a ser instigada pelo ‘Manifesto da Poesia Pau Brasil’, do modernista Oswald de Andrade e toda a sua influência no movimento tropicalista décadas depois. Tais temas sempre estiveram presentes em sua obra e ressurgiram com intensidade no período português.

A imagem pode conter: 1 pessoa, no palco, tocando um instrumento musical, noite e show
Adriana Calcanhoto emocionou a plateia

Não é à toa que ‘Vamos Comer Caetano’, composta para o disco ‘Maritmo’ (1998), foi retomada no repertório e sublinha o conceito antropofágico da apresentação, através da ideia de devorar, se apropriar e reinventar a informação que vem de fora.

“Costumavam me perguntar se eu já tinha virado portuguesa e eu sempre respondia que não. Nunca me senti tão brasileira como agora”, conta Adriana, que foi nomeada Embaixadora da Língua Portuguesa da Universidade de Coimbra no final de 2015. Chiquérrimo.

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e área interna
Dj Zé Pedro marcou presença

 Sempre inovando, irreverente e muito poética, a artista, considerada uma das Divas da MPB, arrancou gritos e sussurros, matando a saudade dos fãs brasileiros. O DJ Zé Pedro fez questão de rever a amiga e marcou presença neste domingo.

Momento marcante que tocou a todos, ocorreu no Bis do show, quando a cantora saiu do palco do teatro, após cantar a última música, e na escuridão, todo o público de pé cantou a capela o sucesso de Adriana, "Vambora", e a artista voltou muito emocionada e agradecida. Cantou mais três canções. Arrepiou.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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