Paulo Monteiro
Baptista-Bastos fica eternamente ligado ao jornal ‘Correio do Minho’. O jornalista, cronista e escritor faleceu na terça-feira, em Lisboa, aos 83 anos de idade.
No início da década de 80, pela mão do então director Jorge Cruz, passou a colaborar com o nosso jornal e durante quase três anos foi o responsável pelas
páginas centrais da edição de sábado onde escrevia a rubrica ‘De Quinta a Quintinha’. E escreveu textos maravilhosos. Textos de encantar. Textos que deixam recordação, tal a fluidez com que passava por cada letra, por cada palavra, por cada frase. Tudo tinha sentido e hoje, mais do que nunca. O escritor, o jornalista e o cronista dava vida às duas páginas centrais do nosso jornal.
Num dos muitos textos que escreveu, retirei um escrito a 16 de Julho de 1983 com o título ‘Um sonho para um jornal de sonhos’. Falava sobre o jornal ‘O Mosquito’ (um semanário de histórias de quadradinhos que saiu entre as décadas de 40 e 50), “um clássico mundial, o mais belo, imaginoso, asseado, límpido e original jornal que até hoje li - e pertence, inarredável, aos redutos mais cândidos onde conservo e alimento a minha infância (...) Formei-me à sombra exemplar desse jornal para miúdos, lido em conjunto por todos os putos... Os seus directores, Raul Correia e Cardoso Lopes (...) morreram pobres, ignorados, esquecidos. Não há uma lápida que os memore; não há nenhum sinal (...) Ah! infância de uma figa! Como te foste embora tão depressa.”
... Uma coisa é certa: Baptista-Bastos não será esquecido por ninguém, nem por este jornal. E, um dia destes, quem sabe, os seus textos serão novamente recordados...
Obrigado Baptista-Bastos.

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