JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Venha tomar um café comigo - Escritor Joel Neto


Muito já escrevi sobre este brilhante escritor, amigo e companheiro das lides jornalísticas. Já muito tenho publicado no que concerne aos seus textos. Mas, hoje, neste cafezinho, optei por colocar em cima da mesa este texto que, na altura, muito me comovei, isto na altura em que completava 50 anos de carreira.
                                                                   

Talvez fosse natural esperar de mim que dissesse o quanto aprendi com Carlos Alberto Alves no fim da adolescência, muito antes de ainda de me tornar jornalista profissional, quando, primeiro com Mário Rodrigues e depois com ele próprio, me iniciei nisso de escrever nos jornais. Sim, posso dizê-lo: aprendi
muito. Mas tudo o que então acontecia à minha volta, como é próprio das crianças, eu apreendia. Na verdade, foi já homem feito que eu vim a adquirir do Carlos Alberto a maior de todas as lições. Estava em meio de profundas mudanças na minha vida, a caminho do regresso aos Açores e desejoso inclusive de deixar em definitivo de ser jornalista, para me dedicar a tempo inteiro à ficção, quando tornei a olhar para o seu trabalho. No passado, Carlos Alberto revelava um faro pela notícia e um gosto pela história em geral que impressionaria qualquer um. Hoje, Carlos Alberto já nem tinha à sua disposição os mesmos canais do passado – e, no entanto, continuava a persegui-las: as notícias e as histórias. Não havia um jornal para onde pudesse escrever diariamente? Escrevia uma vez por semanas. Os jornais estavam a morrer? Escrevia em portais, escrevia no Facebook, contava histórias na rádio, ao telefone. Já não estavam à sua frente os jogos de futebol que dantes o ocupavam? Escrevia sobre a sua paixão por Roberto Carlos e puxava pela memória para escrever histórias do passado da ilha Terceira e dos Açores: da sua cultura, da sua sociedade civil, dos seus heróis. Creio não exagerar se disser que, em parte, se deve a ele, e ao garbo com que usa essa palavra, “jornalista”, eu ter redespertado para o jornalismo. Acabei, inclusive, por revalidar a carteira profissional, caducada há anos. E hoje, não é raro eu pensar na sua paixão sempre que tenho uma notícia à minha frente e pouca paciência para dá-la. Acho que nunca fui tomado assim, por um desejo dessa dimensão. Invejo-o. Mas, em todo o caso, guardo o seu ensinamento para a segunda metade da minha vida. Não me será apenas útil: será, até certo ponto, redentora.
Fim da conversa no bate-papo.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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