Memória do tempo: Álamo Oliveira e a literatura açoriana sem amarras
Vamberto Freitas
Álamo Oliveira vem amanhã a Ponta Delgada apresentar o seu novo romance, Murmúrios Com Vinho de Missa. Não tenho qualquer dúvida que será o nosso romance do ano, pela sua beleza formal, pela audácia da sua temática, o sexo como moeda de troca na sociedade dos nossos tempos. Um crítico não deveria usar estas palavras, mas não resisto: é belo, é lindo, é um mergulho perfeito na nossa história e actualidade. Entretanto, publico aqui alguns passos de uma entrevista que ele me concedeu no fim dos anos 80 sobre o seu romance de guerra Até Hoje (Memórias de Cão), e no qual a temática da homossexualidade já tinha sido abordada, sem rodeios nem ansiedades algumas.
Natural da ilha Terceira, onde ainda hoje vive (facto a notar, pois a saída e fixação com outras partes tem sido a sorte da maioria dos escritores açorianos), antes do sucesso deste seu outro romance, era já reconhecido no arquipélago como uma das mais vivas e criativas vozes da literatura açoriana, sobretudo na sua poesia e teatro. Desde sempre hiperconsciente da sua realidade de homem ilhéu, a sua temática centra-se na procura do amor e entendimento num mundo já sem fronteiras e em constante turbulência e transformação. Mobilizado para a Guiné-Bissau em 1967, passariam uns bons anos antes que essa experiência fosse por ele transfigurada em Até Hoje (Memórias de Cão), considerado por muitos um dos melhores romances portugueses “de guerra”.
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