Tenho as mão vazias de ti,
Arrecadei os beijos dados e os faltosos,
As carícias tiritando de ternura,
Abraços rotos e despedaçados,
Durmo só, dormindo contigo,
Vagueiam, na alma, rotas de triste tristeza,
Tenho o coração ferido por ti,
Dói, doendo, sem doer,
Como mó de moinho, que mói sem moer,
Dorme a falta de ti,
Percorro os caminhos caminhados,
Vejo o pôr do sol desde a janela,
O carvalho despe-se sem pudor,
As folhas gastas pelo tempo,
caem como lágrimas de melancolia,
Calam-se as ilusões, agonizaram,
morreram,
Os anseios cresceram, pereceram e não choram,
Calaram-se, vagueiam em labaredas de borralha,
Como aquele amor, que foi tudo,
que se vestiu de rei poderoso,
Era, apenas um plebeu nu e descalço,
Sem lugar para onde ir,
Perdeu-se.

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