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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Do professor, pesquisador, historiador, jornalista VITOR RUI DORES


Penas de Saudade, ou a voz de Tânia Gonçalves

Etimologicamente o fado é o nosso “fatum”, isto é, o nosso destino e a nossa tristeza em tom menor. E não há que ter pejo em assumir o fado como nossa canção portuguesa de marca, agora que ele está classificado, pela UNESCO, como Património Imaterial da Humanidade.
Uma nova geração de fadistas está a trazer para o fado novas roupagens musicais, novos universos poéticos, novas soluções formais e outras sofisticações harmónicas. O fado é hoje a expressão de uma cultura popular urbana que, a partir de Lisboa e Coimbra, se espalhou por todo o país, incluindo as nossas ilhas. 
Muito por ação desenvolvida pelo grupo de guitarras “Ecos do Fado”, a ilha do Faial vai, a pouco e pouco, consolidando uma cultura de fado. Vários fadistas amadores andam por aí a cantar sentimentos, emoções e estados de alma para quem os quiser e souber ouvir.
Tânia Gonçalves vem dessa “fornada” e acaba de editar o seu primeiro trabalho discográfico intitulado Penas de Saudade, com produção musical do micaelense Alfredo Gago da Câmara, autor de vários fados e guitarrista de méritos confirmados. Com emoção e comoção, acabo de ouvir o CD que inclui 12 temas, dois dos quais originais: “Penas de Saudade” e “Fado Margarida”. Boas sonoridades, bem conseguidos arranjos, apetecível grafismo e excelente captação de som.
Vivendo a sua fase de maturidade, Tânia Gonçalves tem alma fadista. Afinadíssima, é dona de uma voz fresca, bem calibrada, cheia de energia e muito expressiva, com modulações apetecíveis e inflexões muito agradáveis. Esta faialense é de uma grande generosidade e de uma entrega total quando canta e é autêntica, tem facilidade em estilar. Gosto da maneira como ela ornamenta as melodias e dos seus subtis desenhos rítmicos; gosto da intensidade e da tensão que põe na voz e gosto da sua arte de dizer o amor, a paixão, a saudade, o ciúme, a dor, o abandono, a solidão, a perdição, o pranto, as ironias do destino…
Neste disco a soma das partes enriquece o todo. Tânia canta tudo e de tudo: fado corrido, fado menor, fado mouraria, fado Alcântara, fado Acácio, fado Jaime, Fado Santa Luzia, fado-poema e fado-canção. E pelo fado vai continuar a dar a voz e a cara. Porque esta é a sua forma de perseguir caminhos de felicidade e sonho. Temos fadista.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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