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quinta-feira, 11 de julho de 2019

Da poetisa-escritora Maria Azevedo - Como dizer ás palavras,


Como dizer ás palavras,
Que alimentam a minha fome, 
E me projetam
Para a linguagem das coisas,
E dos bichos,
Nos imperfeitos dias e noites,
E me tocam por dentro,
A oeste do meu corpo,
Como dizer aos meus gestos,
Que sejam breves,
E claros,
Como aves,
Que assumam o dom,
De ser asa,
Como dizer, 
Aos meus olhos,
Do que não me pertence,
Mas que guardo o ouro,
Que o coração sempre teve,
Desabotoo a vida,
Como da urgência,
De um barco,
E por mim deslizam inquietas,
Vestidas de vestidos frágeis,
A certeza,
Da magia das palavras…
Ornando os meus silêncios,
Nas letras esquivas do meu nome!
Que palavras?
Juntei-as ao meu silêncio!
E toco de leve,
O rumor dos seus segredos!
Sou capaz de jurar,
Que uma delas se transformou,
Em onda de espuma,
Sobre a minha pele!9
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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