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quinta-feira, 9 de abril de 2020

COVID-19 - Do médico fisiatra António Raposo


Conselhos de médico 10 Diário dos Açores

Covid – 19. Estado de emergência.

1 – Paralisia cerebral. A PC é uma incapacidade no desenvolvimento cujo denominador comum é apresentar uma alteração permanente da postura e/ou movimento traduzida sempre por limitação funcional motora. No entanto frequentemente associa limitações a outros níveis, como sejam perturbações da fala e da linguagem e déficits cognitivos.
Na sua origem tem que haver lesão cerebral não-progressiva ocorrida num período muito precoce do desenvolvimento cerebral, desde o período fetal até aos primeiros 2 a 3 anos de vida. PC ao ser definida como incapacidade no desenvolvimento, é vista como ocorrendo muito cedo na vida da criança e embora tenha base neurológica, em termos individuais é caracterizada pelas suas características funcionais específicas mais do que pela etiologia.
O que atrás fica dito, também implica que se é verdade que a lesão cerebral é fixa isto é, não-evolutiva, no entanto as manifestações clínicas podem modificar-se perante os desafios que vão surgindo com o desenvolvimento das crianças, a terapêutica instituída e a plasticidade cerebral, tão importante nos primeiros anos de vida ( Sociedade Portuguesa de Neuropediatria);

2 – “Acontecem” cerca de 2 casos de PC por cada 1000 nascimentos… No ano de 2016 nasceram nos Açores 2260 bebés (5 com PC / ano). Sou médico fisiatra a trabalhar nos Açores desde 1991 (29 anos). Só neste período terão surgido cerca de mais 150 crianças com Paralisia Cerebral…!!! É um número assustador…!!!

3 – É uma doença crónica e não tem cura o que não quer dizer que estas crianças e adultos não precisem de tratamentos, em especial na fase de desenvolvimento.;

4 – A abordagem terapêutica visa diminuir ou evitar o aparecimento de incapacidades, que se nada for feito serão progressivas e aumentarão o grau de incapacidade. Esta abordagem é efetuada por uma equipa multidisciplinar que, sem querer ser exaustivo posso referir médicos, psicólogos, terapeutas da fala, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, ortoprotésicos, assistentes sociais, educadores principalmente do ensino especial, cuidadores informais, etc. Neste “etc.” incluem-se os pais das crianças que fazem um “trabalho” simplesmente excecional ao longo de toda a vida dos filhos, com uma dedicação e amor que impressiona e emociona mesmo que já tem muita experiência…!!!

5 –Que fazer em casa no estado de emergência? Manter o contato com a equipa que presta cuidados à criança ou adulto com PC. Fazer as atividades que eram feitas nas diferentes “terapias”, com as necessárias adaptações.;

Nota: A atribuição das Insígnias Honoríficas Açorianas tem lugar no Dia da Região, em Sessão Solene presidida pelos Presidentes da Assembleia Legislativa Regional e do Governo Regional. São as seguintes: a) Insígnia Autonómica de Valor; b) Insígnia Autonómica de Reconhecimento; c) Insígnia Autonómica de Mérito; d) Insígnia Autonómica de Dedicação. Gostaria de ver uma mãe (ou um pai) de uma criança com paralisia cerebral a receber uma das medalhas…!!!

António Raposo, médico fisiatra.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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