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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Da escritora Graziela Veiga - ALGUNS CAPÍTULOS DO MEU LIVRO...


ALGUNS CAPÍTULOS DO MEU LIVRO...

É assim que eu vejo a minha vida. Vejo-a como um livro, onde algumas pessoas passaram na minha vida, e até hoje são capítulos importantes, ficaram na memória e são páginas interessantes de ler e reler...já outras pessoas foram estrofes de momentos do livro...onde vivi emoções, ilusões, trabalho, momentos, por vezes, de alegria, por vezes de dor, assim como um médico que prescreve uma receita que alivia o mal, ou alguém desconhecido que me ajudou num momento urgente. E assim se desvaneceu....

E nesse livro da minha vida, aquele que eu vivo e ainda espero viver, há capítulos de amor e de dor. São talvez, aqueles que eu leio com mais atenção e interesse, pois o pior é ver escrito e marcado eternamente, nas páginas do meu livro, as mudanças de sentimentos e desconsideração por alguém. A dor da perda de quem está presente, mas ausente, por vezes, é bem pior do que perder alguém que se foi para sempre, alguém que foi importante, que me amou e que me ajudou a inspirar verdadeiramente, este livro honroso e rico da minha própria vida.

Para quem ama e perde a pessoa amada, é incomensurável transmitir o vazio que fica, a dor, a desolação...mas pior do que a própria morte, é ver pessoas que nós amámos, nos dedicámos, provámos amizade, olhos nos olhos, colaborámos, estendemos a mão...e até, por vezes, na nossa inocência, contámos os nossos segredos, pensamentos, deixando transparecer a imagem da nossa alma...e ver essa pessoa, deixar de ser uma página bela ou um capítulo lindo do nosso livro. Vimos essas pessoas transformarem-se numa simples e curta frase, deixaram de ser o pleno para serem o nada. Essas pessoas, deixam-nos a pensar que, afinal foram uma perda de tempo, pois, tudo não passou de uma ilusão. No entanto, eu fico feliz, sempre que fui sincera, autêntica, perante essas pessoas, demonstrei o quanto valho de sentimentos, face àqueles que representam toda a vida, sem que nunca os conheçamos realmente.

Em todos os momentos da minha vida, sempre procurei ser eu. Se falhei, se não estive à altura, peço desculpa, mas fiz sempre o melhor que sabia e que podia.
Porém, no livro da minha vida, ainda há páginas em branco, ainda resta muito para terminá-lo. Não quero qualquer pessoa a fazer parte da minha história, não quero amizades interesseiras, aquelas que me incomodam e roubam o meu tempo, com mentiras, falsas promessas, aqueles amigos que apenas sorriem quando precisam algo, ou pretendem que eu seja a intermediária, a fim de alcançarem os objectivos.

Decidi preencher o meu livro com o que vale a pena. Procuro olhar bem no fundo da alma, as pessoas que me inspiram confiança, aquelas que me olham nos olhos, sem estratagemas, as que são autênticas e me fazem feliz, todos os dias.

Já escrevi muitos capítulos, já vivi muitas coisas...já chorei pela perda de pessoas insubstituíveis. Ganhei algumas pessoas, outras perderam-se de mim. 

Ficaram poucas ao meu lado, na certeza porém, que ficaram as melhores. Outras ainda irão aparecer, mas só dependerá de mim, de Deus, para que isso aconteça. Por agora, estou ocupada a escrever os capítulos do meu livro, só com quem eu me sinto feliz. E ponto final.

08-04-2020
Graziela Veiga
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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