DIREITINHA PARA O CÉU!
Há 50 anos, numa quinta-feira como esta, cheia de sol, irradiando a frescura da primavera, minha avó levantara-se cedo, como sempre. Fui encontrá-la a lavar roupa na pia para aproveitar o bom tempo e pô-la a «quarar» ou «corar» (não sei qual é a expressão certa).
A nossa amiga Maria Alice, que avisava os irmãos do Império para irem acompanhar os funerais, chegou com a triste notícia: a esposa do Senhor Leal (não me recordo do nome dela) faleceu!
Minha avó reagiu de forma estranha: apesar do semblante carregado, esboçou um sorriso, com um ar de um certo conforto: «Vai direitinha para o céu!»
Explicou-me depois que quem morre na Quinta-feira Santa tem esse privilégio.

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