MUDANÇA...
Há muitos anos... eu queria voar. Queria ser feliz constantemente, tal como nos filmes de príncipes e princesas. Tudo parecia mais fácil. Eu não precisava preocupar-me em acordar cedo, pois a minha mãe encarregava-se de o fazer. E se ela, por acaso, esquecesse, era o barulho da natureza. A natureza age de forma ordeira, segue o seu percurso natural. Nunca falha. Eu não me preocupava com o futuro, pois o mais importante, era viver cada dia, como se existisse apenas aquele momento... as pessoas pareciam melhores, ou talvez eu pensasse assim, talvez pelo facto de idealizar um mundo diferente, contrário ao que ele era realmente. Ou eu era demasiado nova e ingénua para conhecer o verdadeiro mundo... Antigamente, achava que o sol era rosa, via-o todos os dias. De repente, as coisas mudaram, e hoje, por vezes, eu já não vejo o sol. Sei que ele nasce todos os dias, continua lindo, mas o tempo mudou a minha vida. A vida passou, eu cresci. Não me apercebi como isso aconteceu, que fenómeno é esse que faz com que o tempo não pare? As pessoas continuam a caminhar todos os dias, feriados, fins-de-semana...mesmo agora, continuamos a caminhar, a vida continua...embora estejamos diferentes, mais confinados ao nosso lar, preocupados com o futuro, com esta pandemia que nos assola a todos.
Eu costumava desenhar árvores, flores, casas com chaminés a fumegar. Lamentavelmente, hoje já não desenho a paisagem da mesma forma, pois aquele verde que eu desenhava, já não existe mais...algo secou alguma paisagem, ficou menos colorida.
Quando eu era criança, a vida parecia menos dura, as pessoas menos frias, mais amigas, de sorrisos francos. Havia amizades verdadeiras, entreajuda...talvez haja bondade nos corações, nos lugares mais humildes, ou perto de casas grandes e ricas. Eu já não sei quem é quem? Quem luta pela verdade, quem teima em permanecer na mentira...
Actualmente, as pessoas usam máscaras pela actual circunstância. Máscaras que, antigamente, só eram usadas nos bailes ou no Carnaval. Imagino as máscaras a encobrirem sorrisos, talvez aqueles que me faziam bem à alma. Sinto a sua falta. Enquanto isso, imagino os sorrisos...
Quem sabe responder a esta pergunta - Por que o tempo passa tão depressa e as pessoas mudam? Ou por que tudo parece tão diferente desde que me tornei adulta? Quando estive certa, antes ou agora? Receio dar a resposta...
15.05.2020
Graziela Veiga

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