HOMENAGEM
Passando pelo Facebook vi e detive-me num vídeo recente de António Faria, que fixou para a posteridade uma conversa com o recentemente falecido Eng.º Gaspar, homem que muito prestigiou a cultura popular destas ilhas.
Era bem conhecida a faceta divertida desta personalidade, cujo jeito para contar anedotas se mostrou inigualável, num registo que só os bons contadores conseguem, fazendo os outros rirem mantendo eles próprios o ar sisudo.
Já fisicamente debilitado nesse vídeo, mas ainda espirituoso, o Eng.º Gaspar fez-me rir à gargalhada e por isso aqui reproduzo, em sua memória e homenagem, uma das últimas anedotas que terá contado.
O coveiro da freguesia de São João do Pico era um homem honrado, porém de poucos recursos, com uma família numerosa e salário de não fazer inveja a ninguém.
Cumpria, no entanto, as suas responsabilidades zelosamente.
Em certo dia de enterro, a esposa de um inditoso falecido esvaía-se em pranto na hora de lançar os sete palmos de terra sobre o caixão.
- Meu querido, para onde tu vais não há luz; meu amor, para onde tu vais não há água; minha jóia, para onde tu vais não há pão; meu santo, para onde tu vais não há vinho!
O coveiro de São João começa a ficar inquieto e exclama:
- Não querem ver que este filho da... mãe vai para minha casa?

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