UMA FAMÍLIA MUITO AMIGA
Hoje, lembrei-me desta história que tem o seu quê de interessante, ainda mais por ser verdadeira.
A minha avó materna, Maria da Luz, era uma Senhora distinta, com porte, carisma, como se usa dizer, que impunha respeito pela sua presença, pois não era de sorriso ou conversa fáceis. Análise feita pela minha mãe e outras pessoas que a conheceram. E segundo dizia a minha mãe, apesar de não dar confiança, a resposta não ficava por dar, sempre que se proporcionava.
Certo dia, estava ela junto a um grupo de mulheres que conversavam sobre algumas tradições do passado. No meio do mulherio, houve uma que fez questão de contar como no seu tempo, tudo era diferente e havia mais alegria.
E começa por dizer, mais inclinada para a minha avó, que a escutava com atenção.
- Naquele tempo, era uma alegria! A gente ia para casa dos meus tios e primos. A senhora Maria lembra-se? Quando era pelas coroações, passava-se uma semana em festa, a cozer o pão, a massa sovada, fazer as alcatras, (enfim, tudo o que fazia parte da função). Depois a gente juntava-se para rezar o terço. Era uma alegria! E continuou - lembro-me quando chegava a noite, a gente ficava em casa dos meus tios. Estendíamos os colchões no meio da casa e deitávamo-nos todos juntos. A senhora Maria lembra-se?
A minha avó depois de ouvir a conversa e ao ser indagada sobre aquela lembrança, disse - sim, lembro-me bem. Eu também tinha primos, ia às funções e cheguei a ficar em casa dos meus tios. Éramos todos amigos e dávamo-nos muito bem. Agora, essa coisa de se deitar tudo junto, nunca aconteceu.
As outras senhoras presentes reagiram de diferentes formas. Umas riram, outras ficaram sérias, à espera da reacção da pessoa que relatava o seu passado de forma tão esfuziante, a transmitir um mar de alegria e bom relacionamento.
Esta ao ver-se embaraçada pela resposta da minha avó, concluiu - a senhora Maria mais a Maria (Tirna)* sempre foram muito singelas!
*alcunha.
08.05.2020
Graziela Veiga

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