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sábado, 1 de agosto de 2020

Da escritora Graziela Veiga - ENTRE O CERTO E O ERRADO...


ENTRE O CERTO E O ERRADO...

Normalmente, falamos com relativa facilidade, por vezes, até falamos do que não sabemos. E afinal, é tão difícil falar, ou seja, pelo menos falar o que deve ser falado e dizer o que deve ser dito, na altura e lugar próprios.
Sabemos que ninguém é dono da verdade. Há a minha verdade, a verdade da outra pessoa e a que é certa. Nem sempre a verdade está do nosso lado, por isso, convém analisar minuciosamente os factos, para que não caiamos em contradição.
Falar, poderá ser completamente fácil, sobretudo quando se tem as palavras em mente, aquelas que expressam a nossa opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, na altura certa, antes que a pessoa vire as costas.
Fácil é julgar as pessoas que estão expostas pelas circunstâncias da vida.
Difícil é encontrar e reflectir sobre os erros cometidos, ou tentar fazer diferente, isto é, modificar algo que, desde sempre, tenhamos feito errado.
Fácil ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que esse alguém deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade, mesmo que magoe, convictos da realidade e das consequências que possam advir.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar ou opinar de ânimo leve.
Difícil é vivenciar a situação e saber o que fazer ou ter a coragem necessária para mudar.
Fácil é demonstrar ódio e impaciência quando algo nos deixa irritados.
Difícil é expressar o nosso amor a alguém que realmente nos conhece, que nos respeita e percebe. Por vezes, é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar durante anos.
Difícil mesmo, é mentir para o nosso coração.
Fácil é vermos apenas o que queremos ver.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitirmos os nossos erros, que nos deixámos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é querer ser amado, exigir dos outros aquilo que nos falta em capacidade, talvez por covardia, ou medo da rejeição.
Difícil é amar simplesmente, sem esperar nada em troca. Entregarmo-nos ao outro, amar de verdade, sem receio, sem ter medo do depois...
Fácil é deixar-se levar, ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a nossa consciência a acenar-nos, a chamar a atenção para as nossas escolhas erradas.
Fácil é chorarmos ou sorrirmos quando nos der vontade.
Difícil é sorrirmos com vontade de chorar, ou chorarmos de rir, de alegria.
Fácil é constar da lista de nomes do telemóvel de alguém.
Difícil é ocuparmos o coração de alguém e sentirmo-nos amados, apesar dos defeitos, das limitações.
Fácil é sonharmos todas as noites...
Difícil é lutarmos pelos nossos sonhos...
31.07.2020
Graziela Veiga
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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