deixei por metade
o alicerce da minha casa
a janela vermelha do sótão
lá está e por ela
vejo o universo
tenho a vista um pouco baça
algumas vezes insónias
mas ouço o Tempo
que fala o que não queria
que falasse
dizes que por um búzio
pressentes o mar
e os nomes do mundo
sabes, se escutas
o que um seixo exalta
no teu ouvido
não deixes de resolver
o que a infância
fala e canta no mais fundo
de ti.
IVO MACHADO
Porto, 22 de Setembro de 2020

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