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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Recordando Jornal A União e Azores Digital


Do Jornal A União - Madalena e o seu potencial 



Será que não fui a pessoa, como treinador, que desbravou caminho na Madalena ao serviço do clube local? Tenho mesmo que passar à imodéstia e dizer que tive a minha grande quota-parte na mudança de mentalidades, no que respeita à metodologia do treino e à organização especifica do mesmo.
 Sabe-se que, no Pico, a rivalidade entre os três concelhos nunca passou despercebida a ninguém, mas
manda a verdade dizer que em termos de evolução a Madalena esteve sempre na frente, beneficiando, óbvio da sua condição geográfica, isto é, a fronteira com o Faial. Portanto, quem de lá vem para visitar o Pico forçosamente passa pela Madalena e no retorno verifica-se o mesmo. Pensando que não, é um benefício importante.
 Sempre disse, e quem trabalhou comigo (não foram poucos) pode corroborar, que o Futebol Clube da Madalena, ao ser beneficiado com outras infraestruturas (como sucedeu, por exemplo, com o campo de futebol, totalmente remodelado), tinha condições para ir longe. E assim foi. Entrou na Série Açores e, na época em que saiu vencedor, guindou-se à Série B do Campeonato Nacional de Futebol. Creio que o clube não abunda em dinheiro e creio também que o planeamento da respectiva época, em termos orçamentais, será feito com todo o cuidado. Agora pergunto? No plantel, quantos jogadores da ilha? Pelo que acompanho, são poucos, mas, mesmo assim, é agradável ter lá essa representatividade. E o que se tem feito na formação? No tempo em que lá estive, foi chão que deu uvas. E recordo que tive a coragem de lançar no plantel sénior alguns juniores de qualidade, citando, entre outros, Jaime “Larucho”, Paulo Jorge Marcos, Fialho, Rui Pires. Enfim, contrariando alguns “treinadores de bancada”. E mais: treinar às sete da matina, o que foi outra novidade desde logo aprovada por todos. É por isso que digo que houve necessidade de mudar mentalidades.
 Respondendo a algumas perguntas de amigos no facebook, qual o meu clube, direi que são vários: Lusitânia, Angrense, Madalena, Sporting da Horta e Futebol Clube dos Flamengos. Ao cabo, os clubes onde trabalhei e que fazem parte da minha própria história. Mas, mesmo assim, porque lá estive a trabalhar durante um mês, antes de rumar para o Sporting da Horta, torço também pelo Boavista de São Mateus do Pico. Infelizmente, destes clubes o Sporting da Horta está de porta fechada, esperando que o mesmo não aconteça com o Lusitânia, cuja situação se vem agravando em função das notícias que vão circulando.
 NOTA FINAL – Já tinha este artigo escrito há sensivelmente um mês, portanto, estava na calha para sair, como, aliás, estão outros para seguir viagem até à redação de A União para a respectiva publicação. Com isto quero dizer que fui surpreendido com a decisão da Assembleia Geral do Madalena no tocante à não participação da equipa sénior na II Divisão B do Campeonato Nacional de Futebol. É pena, realmente, que isso tenha acontecido, mas, por outro lado, não deixa de ser mais um aviso à navegação para que não se continue a cometer loucuras em termos de contratações. E nem se pode estar sempre à espera do dinheiro do governo, seja ele PS, PSD ou outro qualquer, para satisfazer caprichos que não se coadunam com a nossa própria realidade. Certo está o Angrense que vai partir para essa campanha de II Divisão B com atletas formados na região, aplicando um orçamento dentro das possibilidades existentes no clube, adicionando os apoios governamentais, aqueles que serão distribuídos em função do estipulado quer pelo governo quer pela autarquia angrense. Se o Angrense não lograr a manutenção, isso não constituirá uma hecatombe dentro do seu seio. Seria sim se o clube ficasse altamente endividado à semelhança do seu rival Lusitânia cujo futuro está cada vez mais sombrio. E, nesse sentido, a atual direção do Angrense já deu mostras de total equilíbrio, não entrando em loucuras.


DO AZORES DIGITAL - A dura realidade



Nunca fomentei rivalidades entre Terceira e São Miguel. Discordei isso sim de algumas situações que beneficiaram os micaelenses, mas sem o intuito de criar o chamado divisionismo açórico. Hoje mantenho esse mesmo espírito em relação ao que atrás referi.
Nesta semana foi tema dominante um editorial do Diário Insular no que concerne à transferência de presos de São Miguel para a nova cadeia da ilha Terceira, sita na Terra Chã. De imediato, nas redes sociais, nomeadamente no facebook, surgiram reações de discórdia por parte de gente ligada à mídia de São Miguel e não só. Era previsível que isso acontecesse, até porque, nas redes sociais, é mais fácil ofender e escrever coisas por vezes demasiado descabeladas. E até se ofendeu o diretor do jornal que, sendo o principal responsável por tudo o que é publicado no referido matutino, não foi, no entanto, o autor do artigo que não agradou aos tais “comichosos”. Coube isso sim ao chefe de redação, Armando Mendes, jornalista de créditos firmados, a missão de alertar o perigo dessa decisão governamental.
Ora, e aqui um paralelismo dentro da relatividade das coisas, vivo num país (Brasil) onde a criminalidade grassa assustadoramente. Mortes, sequestros, ataques constantes a caixas eletrónicos, enfim, um ror de crimes que, em muitos casos, também engloba menores nos grupos formados para o efeito. E acontece que, posteriormente, aqueles que são presos e julgados, beneficiam dos tais dias que considero “pior a emenda do que o soneto”, ou seja, colocados na rua por um período de dias e daí, grande parte, não regressar aos presídios (re) entrando de novo na criminalidade. E é aqui, neste paralelo (repito, dentro da relatividade das coisas em termos de dimensões), que os terceirenses receiam o aumento de crimes na ilha, atendendo a que muitos desses presos, face ao tal benefício, e sem condições monetárias para fazê-lo (a não ser que o rico governo açoriano o faça) não regressam à sua ilha e, como tal, se infiltram nos bairros sociais da ilha, causando assim uma enorme preocupação. Mas não se entende o motivo pelo qual os responsáveis por essa medida não viraram agulhas para Lisboa, por exemplo. Lisboa ou norte do país, e porque não?
Quer queiram quer não, os terceirenses têm fortes razões para estarem apreensivos. Mas o melhor é esperar pelo que acontecerá no futuro. De resto, parabenizo a coragem do jornalista Armando Mendes por levantar um problema altamente pertinente e que merece reflexão por quem de direito.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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