O JOSÉ SILVA NÃO VIU "OS FANTASMAS"
Manda a verdade dizer, quer se goste da pessoa ou não (que não é o meu
caso, cuja relação foi sempre cordial), que foi no tempo em que António
Lourenço de Melo exerceu o cargo de Diretor Regional da Comunicação Social, nos
mandatos de João Bosco Mota Amaral, que os chamados jornalistas desportivos
(discordo
dessa expressão) dos Açores tiveram oportunidade de contatar com dois
“monstros sagrados” dessa mesma área, primeiramente com Vítor Santos em São
Miguel e, depois, na cidade da Horta, com Alfredo Farinha. Ao cabo, dois dos
meus grandes Mestres e, paradoxal que possa parecer (para os que duvidavam),
Vítor Santos sempre me considerou como um irmão. E, curiosamente, segundo a
versão do Vítor Farinha, filho do Alfredo, quando em casa viam televisão e
aparecia uma imagem dos Açores, logo vinha à baila o meu nome, isto em função
da amizade que sempre mantive com Alfredo Farinha que, numa bela tarde em “A
Bola”, na célebre Travessa da Queimada 23-2º, quase que me colocou em sentido
(rsss). E isto teve a ver com o fato de tratar todos os colegas por “tu” e ao
Farinha “senhor Alfredo”. Textualmente: “olha lá, ao rapazinho dos Açores, eu
sou igual aos outros, ao Vítor, ao Miranda, ao Pinhão, ao Aurélio, ao Homero” e
por aí fora. A partir daí, obviamente, era Alfredo, o que significa que retirei
o senhor. Mas o carisma do Alfredo sempre me puxou para o “senhor Alfredo”.
Foram dois companheiros e amigos que muito senti os seus desaparecimentos, o
Farinha não há muito tempo (dois anos por aí...) e, inclusive, mandei celebrar
uma missa do sétimo dia na igreja de São João Batista em Niterói, tendo, para o
efeito, convidado alguns amigos e amigas para participarem no ato, entre eles o
Gerson, “canhota de ouro”, que não compareceu por motivos de saúde. Ele que
mora em São Francisco, um dos mais aprazíveis lugares de Niterói.
Depois do êxito alcançado com a presença do Vítor Santos em São Miguel
(ainda deu para ver a sobrinha que morava na ilha, irmã do Rui Santos, e que
mais tarde veio a falecer na sala de partos do Hospital de Ponta Delgada, creio
eu), naturalmente que o Alfredo Farinha foi a pessoa mais indicada (consultei o
Vítor a solicitação do Norberto Barcelos) e o II Encontro decorreu na cidade da
Horta, com toda a minha gente (terceirenses e micaelenses, que formaram um
grupo apreciável) a ficar hospedada na Estalagem de Santa Cruz, incluindo aqui
o Alfredo Farinha e a esposa, D. Maria Antónia. Mais uma jornada em que
recolhemos bons ensinamentos, na sequência da linha que foi apresentada por
Vítor Santos. Malta divertida, malta brincalhona, enfim, aquele espírito de que
todos nós estávamos necessitados.
Pois é... brincar, brincar. Porque ficamos em quartos duplos, coube-me
como companheiro o carismático jornalista e grande amigo, José Silva, que se
aposentou recentemente. Aliás, há que dizer que a nossa relação foi sempre das
melhores. Mas como naquele grupo vindo de São Miguel existiam uns três-quatro que
eram desalmados para pregar partidas, numa bela noite no nosso quarto entraram
dois vultos que esperaram pela ocasião da luz apagada. Tiveram azar porque em
vez de puxarem um dos pés ao José Silva, fizeram-no à minha pessoa. O Silva
ainda ficou alarmado mas, quando abriu a luz, os “fantasmas da noite” já tinham
desaparecido. Claro que, de manhã, à hora do café, com a presença do Farinha,
era este o assunto que se comentava. Mas, passado o “susto”, deu logo para
colocar o dedo na ferida no que concerne aos “fantasmas da noite”, que bem
poderiam ser os “fantasmas da ópera” se nós, naquela altura, tivéssemos
entrando numa “sinfonia de ressonar”. Já agora, para encerrar, e para que este
artigo fique completo, divulgar os nomes dos dois personagens. E quem poderia
ser? Melhor do que estes não havia: Paulo Jorge Raposo (infelizmente, falecido)
e Oscar Rocha. O tempo passou, mas sempre ficou algo para se contar aos nossos
leitores.
Amigo, José Francisco Silva, cuidado com os “fantasmas aposentados”.

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