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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Do jornal A União



O JOSÉ SILVA NÃO VIU "OS FANTASMAS"


Manda a verdade dizer, quer se goste da pessoa ou não (que não é o meu caso, cuja relação foi sempre cordial), que foi no tempo em que António Lourenço de Melo exerceu o cargo de Diretor Regional da Comunicação Social, nos mandatos de João Bosco Mota Amaral, que os chamados jornalistas desportivos (discordo
dessa expressão) dos Açores tiveram oportunidade de contatar com dois “monstros sagrados” dessa mesma área, primeiramente com Vítor Santos em São Miguel e, depois, na cidade da Horta, com Alfredo Farinha. Ao cabo, dois dos meus grandes Mestres e, paradoxal que possa parecer (para os que duvidavam), Vítor Santos sempre me considerou como um irmão. E, curiosamente, segundo a versão do Vítor Farinha, filho do Alfredo, quando em casa viam televisão e aparecia uma imagem dos Açores, logo vinha à baila o meu nome, isto em função da amizade que sempre mantive com Alfredo Farinha que, numa bela tarde em “A Bola”, na célebre Travessa da Queimada 23-2º, quase que me colocou em sentido (rsss). E isto teve a ver com o fato de tratar todos os colegas por “tu” e ao Farinha “senhor Alfredo”. Textualmente: “olha lá, ao rapazinho dos Açores, eu sou igual aos outros, ao Vítor, ao Miranda, ao Pinhão, ao Aurélio, ao Homero” e por aí fora. A partir daí, obviamente, era Alfredo, o que significa que retirei o senhor. Mas o carisma do Alfredo sempre me puxou para o “senhor Alfredo”. Foram dois companheiros e amigos que muito senti os seus desaparecimentos, o Farinha não há muito tempo (dois anos por aí...) e, inclusive, mandei celebrar uma missa do sétimo dia na igreja de São João Batista em Niterói, tendo, para o efeito, convidado alguns amigos e amigas para participarem no ato, entre eles o Gerson, “canhota de ouro”, que não compareceu por motivos de saúde. Ele que mora em São Francisco, um dos mais aprazíveis lugares de Niterói.
Depois do êxito alcançado com a presença do Vítor Santos em São Miguel (ainda deu para ver a sobrinha que morava na ilha, irmã do Rui Santos, e que mais tarde veio a falecer na sala de partos do Hospital de Ponta Delgada, creio eu), naturalmente que o Alfredo Farinha foi a pessoa mais indicada (consultei o Vítor a solicitação do Norberto Barcelos) e o II Encontro decorreu na cidade da Horta, com toda a minha gente (terceirenses e micaelenses, que formaram um grupo apreciável) a ficar hospedada na Estalagem de Santa Cruz, incluindo aqui o Alfredo Farinha e a esposa, D. Maria Antónia. Mais uma jornada em que recolhemos bons ensinamentos, na sequência da linha que foi apresentada por Vítor Santos. Malta divertida, malta brincalhona, enfim, aquele espírito de que todos nós estávamos necessitados.

Pois é... brincar, brincar. Porque ficamos em quartos duplos, coube-me como companheiro o carismático jornalista e grande amigo, José Silva, que se aposentou recentemente. Aliás, há que dizer que a nossa relação foi sempre das melhores. Mas como naquele grupo vindo de São Miguel existiam uns três-quatro que eram desalmados para pregar partidas, numa bela noite no nosso quarto entraram dois vultos que esperaram pela ocasião da luz apagada. Tiveram azar porque em vez de puxarem um dos pés ao José Silva, fizeram-no à minha pessoa. O Silva ainda ficou alarmado mas, quando abriu a luz, os “fantasmas da noite” já tinham desaparecido. Claro que, de manhã, à hora do café, com a presença do Farinha, era este o assunto que se comentava. Mas, passado o “susto”, deu logo para colocar o dedo na ferida no que concerne aos “fantasmas da noite”, que bem poderiam ser os “fantasmas da ópera” se nós, naquela altura, tivéssemos entrando numa “sinfonia de ressonar”. Já agora, para encerrar, e para que este artigo fique completo, divulgar os nomes dos dois personagens. E quem poderia ser? Melhor do que estes não havia: Paulo Jorge Raposo (infelizmente, falecido) e Oscar Rocha. O tempo passou, mas sempre ficou algo para se contar aos nossos leitores.
Amigo, José Francisco Silva, cuidado com os “fantasmas aposentados”.






Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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