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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Do jornal A União



QUANDO OS AMERICANOS DESCIAM A ANGRA


  A cidade de Angra, com todas as suas vicissitudes, sempre foi movimentada e o seu quotidiano recheado de motivos de interesse, inclusive quando nas principais artérias passavam aquelas figuras carismáticas como, por exemplo, o Domingos “praça velha”, o Joaquim “das horas” e tantos outros dessas épocas
em que a nossa cidade tinha vida. Hoje resta o José “greta” e o José “cagão”, sempre postado ao lado do Café Aliança, aborrecendo uns e outros, mas é essa figura que a malta não se esquece, sobretudo quando engraxava os sapatos na Praça Velha, rivalizando com outros colegas que da mesma profissão faziam o seu ganha-pão, um deles o Evaristo que diziam ser o maior concorrente do José “cagão”.

Angra tinha muita atividade, quer comercial quer no que se concerne aos transeuntes que, diariamente, passavam pelo burgo, nomeadamente, e como se compreende, a Rua da Sé, com paragem obrigatória, muitas das vezes, nos degraus da Sé. E era ali que a nossa malta se reunia para, a partir das cinco da tarde, ir ao nosso ritual diário, ou seja, o que chamávamos de “desobriga” no estabelecimento do Tio Bailão. Uma ou mais angélicas com um pouco de queijo de cabra, alternando-se com uma cavaqueira sobre futebol, mas ali era “proibido” falar do Lusitânia, apesar de muitos lusitanistas procurarem o célebre e inesquecível estabelecimento do Tio João que teve a virtude (uma das muitas) de colocar o emblema do Angrense em todos os filhos e agora destes para os netos. Veja-se como o filho do José Guilherme já é o homem-forte do futebol sénior do Angrense.
Mas naquelas épocas de 50-60, Angra tinha maior movimento quando, às sextas-feiras e aos sábados, os americanos do Destacamento Americano da Base das Lajes desciam até aos pontos onde ficavam os restaurantes populares, um deles o famigerado “escondidinho” na Rua do Santo Espírito e, também, entre outros, o Gaspar ali ao lado do Teatro Angrense. Mas esse do Gaspar era para a rapaziada o melhor que havia, visto que, ao intervalo dos cinemas (a única coisa que existia para passar o tempo), saboreava-se uma sanduíche (um quarto de pão grande) com feijão e/ou fígado. Era uma fila enorme para lá se entrar. Mas, o mais curioso é que, ainda em relação aos americanos (o que hoje já não acontece), quando surgiam em grupo a rapaziada não os deixava em paz (sem molestar ou coisa assim parecida, sublinhe-se) e, na ponta da língua, a frase de sempre: “one dólar”? Muitos até davam umas moedinhas ou então comida (boa) que restava, mormente os bifes que os americanos muito gostavam. Hoje, pelo que se conhece, os americanos ficam pelas zonas do Ramo Grande, maior incidência para a cidade da Praia da Vitória, que também está bem diferente e com restaurantes de muito boa qualidade. Do tempo ao tempo, como as coisas mudaram.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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