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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Do jornalista João Rocha




Opinar no Facebook

depois da tasca

                                                                              

Todos já caímos na tentação de opinar por opinar, ou seja, para não estar calado. Há uns anitos o espaço privilegiado seria o balcão ou a mesa do café/tasca.
Um assunto vinha à baila e, imediatamente, arriscávamos uma consideração traduzida grosso modo no sempre eloquente “acho que”.
E, muitas vezes, o “acho que” era antecedido doutra pérola do pensamento: “não percebo nada do assunto, mas…”.
E as “doutas” tiradas (mais cerveja houvesse…) serviam para desvendar todos os segredos do mundo e arredores.
Todavia, em boa verdade, os raciocínios debitados nas cavaqueiras com amigos e conhecidos acabavam por não ter grandes repercussões até porque eram facilmente apagados pela ressaca.
Com a internet, e a proliferação das redes sociais, a coisa já ganhou outras proporções bem mais gravosas.
Hoje, por exemplo, quem não está no Facebook parece que vive em Marte. 
No mural do face cabe tudo o que é bom e ruim. O utilizador crónico não tira o olho do ecrã do computador para não perder nenhuma novidade.
As festas, os desastres, os vídeos, as notícias cor-de-rosa e mais negras, os likes, as fotos da vizinha em biquíni, as análises da economia, as biqueiradas no futebol, as partilhas dos enredos/mexericos e por aí fora sem nunca mais parar.
Para os praticantes assíduos do “acho que” o reduto virtual supera, de longe, o paraíso. Comentar, e poder ainda fazer o mesmo sobre os comentários alheios, equivale a uma tentação dos diabos.
As regras (sejam legais, de senso ou educação) praticamente não existem. É como jogar futebol sem árbitro, onde a canela do adversário vale tanto como a bola.

Somos especialistas (mesmo sem o curso acelerado do Relvas) em combates a incêndios florestais, assaltos a material bélico ou na política Trumpiana.

É tão agradável chamar gatuno, com as letras todas, ao governante, reclamar cadeia para os banqueiros, bombardear o selecionador nacional, questionar a bravura de um toiro e discordar das regras de trânsito, sem falar dos vídeos em que as boazonas (ou bonzões, em defesa da igualdade de género) aparecem em coiro.

E, no final, há ainda a fascinante hipótese de se acrescentar Lol. 
O grande problema é que o universo do Facebook não se limita às paredes de uma tasca. As ressacas são outras e “acho que” só dão corda a idiotices, malcriação e afins.
Mas não percebo nada do assunto…


joaorochagenio@hotmail.com
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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