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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Figuras que não passaram ao rol dos esquecidos - Padre Coelho de Sousa



Eduardo Ferraz da Rosa

A cerimónia de Homenagem ao Padre Manuel Coelho de Sousa, com a atribuição que lhe foi feita, a título póstumo, da Medalha de Honra do Município de Angra do Heroísmo, constituiu marcante e muito significativo acontecimento, embora por bem díspares motivos, conforme tem sido referido e também foi corajosamente escrito e felizmente registado em textos que igual e inteiramente subscrevo, tanto por Dionísio Sousa como por Cláudia Cardoso. 


– De resto e assim, para além da recomendação que vivamente faço da leitura integral e da reflexão urgente que esses depoimentos devem suscitar, aqui cito ainda as exemplares e sucintas palavras de Cláudia Cardoso a propósito do mesmo despautério que todos presenciámos: 

“Esta cerimónia (...) Valeu por si, pela justíssima homenagem, mas de facto, surpreendeu pelas ruidosas ausências, demasiadas e injustificáveis, que não explicam nada. Só denunciam uma apatia social grave e uma demissão institucional completamente inaceitável. O governo, a igreja, o jornalismo, a sociedade civil, a quem o homenageado serviu durante tanto tempo, estiveram ausentes. Isto não se explica, constata-se, e lamenta-se...”!

Ora na mesma Sessão de Homenagem a Coelho de Sousa que venho referindo, tive grata ocasião de recordar várias das suas dimensões existenciais, sociais e poéticas, mas não pude deixar de terminar aquela evocação saudosa e grata como se a sua viva imagem nos estivesse, entre tantas outras, tão presente como dantes junto ao Império do Espírito Santo de S. Sebastião:

– Não tenho a certeza, mas parece-me que o Padre Coelho, com a chegada da Primavera, ainda lá irá mais algumas vezes, acenando de longe, um pouco vaidoso e sorridente para os amigos e confidentes que o escutaram, nele confiaram e o quiseram homenagear, mas também, distantemente triste e ofendido com os que dele maldisseram, o menosprezaram ou o esqueceram em vida e na própria morte, porém a todos convidando a olhar com olhos de ver, dando, recebendo e partilhando na comum e frágil humanidade de todos, como ele escreveu, “as flores dos jardins de Deus”... 





Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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