Eduardo Ferraz da Rosa
A cerimónia de Homenagem ao Padre Manuel Coelho de Sousa, com a
atribuição que lhe foi feita, a título póstumo, da Medalha de Honra do
Município de Angra do Heroísmo, constituiu marcante e muito significativo
acontecimento, embora por bem díspares motivos, conforme tem sido referido e
também foi corajosamente escrito e felizmente registado em textos que igual e
inteiramente subscrevo, tanto por Dionísio Sousa como por Cláudia
Cardoso.
– De resto e assim, para além da recomendação que vivamente faço da leitura
integral e da reflexão urgente que esses depoimentos devem suscitar, aqui cito
ainda as exemplares e sucintas palavras de Cláudia Cardoso a propósito do mesmo
despautério que todos presenciámos:
“Esta cerimónia (...) Valeu por si, pela justíssima homenagem, mas de facto,
surpreendeu pelas ruidosas ausências, demasiadas e injustificáveis, que não
explicam nada. Só denunciam uma apatia social grave e uma demissão
institucional completamente inaceitável. O governo, a igreja, o jornalismo, a
sociedade civil, a quem o homenageado serviu durante tanto tempo, estiveram
ausentes. Isto não se explica, constata-se, e lamenta-se...”!
Ora na mesma Sessão de Homenagem a Coelho de Sousa que venho referindo, tive
grata ocasião de recordar várias das suas dimensões existenciais, sociais e
poéticas, mas não pude deixar de terminar aquela evocação saudosa e grata como
se a sua viva imagem nos estivesse, entre tantas outras, tão presente como
dantes junto ao Império do Espírito Santo de S. Sebastião:
– Não tenho a certeza, mas parece-me que o Padre Coelho, com a chegada da
Primavera, ainda lá irá mais algumas vezes, acenando de longe, um pouco vaidoso
e sorridente para os amigos e confidentes que o escutaram, nele confiaram e o
quiseram homenagear, mas também, distantemente triste e ofendido com os que
dele maldisseram, o menosprezaram ou o esqueceram em vida e na própria morte, porém
a todos convidando a olhar com olhos de ver, dando, recebendo e partilhando na
comum e frágil humanidade de todos, como ele escreveu, “as flores dos jardins
de Deus”...

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