(Continuação da peça de teatro Um Negócio Na Europa)
COREOGRAFIA CIGANA
(Espanhola) Com cortes.
* Bóris Ramon - OLÉ!
(Marlene Gandra)
teu almoço
preparado por mim
será batata ao murro
regada a bastante azeite
extravirgem
perfumada de alecrim
para ti arriscarei passos flamencos
com hibisco dobrado vermelho
nos cabelos
cítaras e violinos ciganos
ao fundo
escorrerão pelos nossos corpos
ávidos
COREOGRAFIA CIGANA
(Espanhola) Com cortes.
* Isadora Fanny - TENDA
(Marlene Gandra)
lembro-me de mim em Espanha
de trança enfeitada com rosas de papel
do lado direito da tenda
eu espiava o horizonte
vinha meu cigano cavalgando
num cavalo robusto
a relva era bem verde
o acampamento deserto
COREOGRAFIA CIGANA
(Espanhola) Com cortes.
* Bóris Ramón - TOLEDO (Marlene
Gandra)
nesta cidade espanhola
à beira do Tejo
há cinco séculos morri
além das estreitas ruas
entre ruínas de mim
ciganos a duelar
meio ao capim orvalhado
no castelo medieval
que nunca pude adentrar
percebo a poeira das vozes
e o brilho das espadas
COREOGRAFIA CIGANA
(Espanhola) Com cortes.
* Fátima Aisha - CIGANO
(Marlene Gandra)
a cavalo ele chega
e dentes de ouro põe à mostra
oferece-me tachos e medos
o bafo do animal na minha cara
faz-me arrepiar profundo
não penso duas vezes
na garupa rumo a Madri
entrelaçada a um corpo incandescente
COREOGRAFIA CIGANA
(Espanhola) Com cortes.
* Carmen Constância - TRIANA
(Marlene Gandra)
sevilha de sangue e espada
de encontros impossíveis
e punhais na testa
emboscada de pretéritos perfeitos
saias embaraçadas em rodas de carroças
lenço vermelho cravejado de rubi e ouro
nas orelhas argolas brilham
e refletem na carne exasperada
COREOGRAFIA CIGANA
(Espanhola) FINAL.
* Amadeu Tomys - HABITANTES DA ALDEIA
Ancestrais
Vida que vai e
Vem
Homem que nasce e
É eterno.
Mulher Criação.
Homem
Pedras e animais Irmãos.
Nesta espera
Que apedreja o coração do homem
Esperança
(Maria de Fátima Batista Quadros - Eflúvio Poético)
* José Carlos - TOLA VERDADE (Paulo Milagre)
Eu queria ser um anônimo:
José, Joaquim ou Jerônimo,
pelas ruas, em meio aos outros
passar despercebido aos olhares
famintos e angustiados dos homens e mulheres mil.
Vejo o pássaro pousado no galho alto de uma árvore.
Anônimo, canta alegre,
totalmente alheio à multidão que se agita,
cruzando as calçadas repletas de correrias.
Nos pulsos, os relógios não descansam,
cobrando velocidade, pois, tempo é dinheiro!
E nós, pobres coitados,
não temos tempo nem dinheiro.
E o pequeno pássaro ali, indiferente à multidão,
solta o canto em busca da sua amada.
Quanto tempo perdido arrumando papéis.
Não se come papel!
De repente, o pássaro voa.
Vai ao rio matar a sede – nós o poluímos;
nas árvores, mata sua fome – nós as cortamos
e continuamos buscando papéis,
agora virtuais, só imaginários.
E o pássaro, volta a cantar, alegre, satisfeito e feliz!
Engraçado, nós somos os racionais, eles os irracionais.
Tola verdade!
(Continua)

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