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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quinta-feira, 8 de março de 2018

Da conceituada atriz Cidah Viana - Peça de Teatro Um Negócio Na Europa


(Continuação da peça de teatro Um Negócio Na Europa)



COREOGRAFIA CIGANA (Espanhola) Com cortes.

* Bóris Ramon - OLÉ! (Marlene Gandra)

teu almoço


preparado por mim

será batata ao murro

regada a bastante azeite

extravirgem

perfumada de alecrim

para ti arriscarei passos flamencos

com hibisco dobrado vermelho

nos cabelos

cítaras e violinos ciganos

ao fundo

duas taças de vinho do porto

escorrerão pelos nossos corpos

ávidos

COREOGRAFIA CIGANA (Espanhola) Com cortes.
* Isadora Fanny - TENDA (Marlene Gandra)

lembro-me de mim em Espanha


de trança enfeitada com rosas de papel

do lado direito da tenda

eu espiava o horizonte

vinha meu cigano cavalgando

num cavalo robusto

a relva era bem verde

o acampamento deserto

COREOGRAFIA CIGANA (Espanhola) Com cortes.
* Bóris Ramón - TOLEDO (Marlene Gandra)


nesta cidade espanhola

à beira do Tejo

há cinco séculos morri

além das estreitas ruas

entre ruínas de mim

ciganos a duelar

meio ao capim orvalhado

no castelo medieval

que nunca pude adentrar

percebo a poeira das vozes

e o brilho das espadas

COREOGRAFIA CIGANA (Espanhola) Com cortes.
* Fátima Aisha - CIGANO (Marlene Gandra)

a cavalo ele chega


e dentes de ouro põe à mostra

oferece-me tachos e medos

o bafo do animal na minha cara

faz-me arrepiar profundo

não penso duas vezes

na garupa rumo a Madri

entrelaçada a um corpo incandescente

COREOGRAFIA CIGANA (Espanhola) Com cortes.
* Carmen Constância - TRIANA (Marlene Gandra)

sevilha de sangue e espada


de encontros impossíveis

e punhais na testa

emboscada de pretéritos perfeitos

saias embaraçadas em rodas de carroças

lenço vermelho cravejado de rubi e ouro

nas orelhas argolas brilham

e refletem na carne exasperada

COREOGRAFIA CIGANA (Espanhola) FINAL.

* Amadeu Tomys - HABITANTES DA ALDEIA


Ancestrais 

Vida que vai e 
Vem 
Homem que nasce e 
É eterno. 
Mulher Criação. 
Homem 
Pedras e animais Irmãos. 
Nesta espera 
Que apedreja o coração do homem 
Esperança
(Maria de Fátima Batista Quadros - Eflúvio Poético)

* José Carlos - TOLA VERDADE (Paulo Milagre)

Eu queria ser um anônimo:
José, Joaquim ou Jerônimo,
pelas ruas, em meio aos outros
passar despercebido aos olhares
famintos e angustiados dos homens e mulheres mil.
Vejo o pássaro pousado no galho alto de uma árvore.
Anônimo, canta alegre,
totalmente alheio à multidão que se agita,
cruzando as calçadas repletas de correrias.
Nos pulsos, os relógios não descansam,
cobrando velocidade, pois, tempo é dinheiro!
E nós, pobres coitados,
não temos tempo nem dinheiro.
E o pequeno pássaro ali, indiferente à multidão,
solta o canto em busca da sua amada.
Quanto tempo perdido arrumando papéis.
Não se come papel!
De repente, o pássaro voa.
Vai ao rio matar a sede – nós o poluímos;
nas árvores, mata sua fome – nós as cortamos
e continuamos buscando papéis,
agora virtuais, só imaginários.
E o pássaro, volta a cantar, alegre, satisfeito e feliz!
Engraçado, nós somos os racionais, eles os irracionais.
Tola verdade!


(Continua)
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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