Guerra da
Cal, galego universal
Para que nos serve Ernesto Guerra
Da Cal, a sua trajetória, a sua produção, a análise delas? Talvez constitua
umha útil fonte para analisar capitais e possibilidades, individuais e
coletivas, para entender o alargamento do espaço dos possíveis, para
interpretar aplicações e soluções inovadoras que permitam entender e explicar
melhor os fenómenos que se constituem em perguntas ou objetos de estudo em
determinados campos. Também para, ao invés, entender
dificuldades e entraves de
legitimação e internacionalização, internos e externos. Para o caso português,
poder exemplarmente ajudar para compreender a construção do cânone e os efeitos
simbólicos, culturais e referenciais dele no caso concreto de Eça de Queirós e
as interações e dependência daqueles com os campos do poder; para o caso
brasileiro, a sistemática falta de um plano de internacionalização da sua
política (cultural) com carência que a sua crescente influência económica supre
em parte. Ou também para comprender a elaboração, tensões e funcionalidades das
redes de pessoas procedentes do lado perdedor da Guerra espanhola de 1936-1939
e os projetos que se movem no balouço do individual e o coletivo. No caso
galego, para verificar como as suas elites estão empenhadas em soluções
individuais e fracassadas e, noutros planos, pouco abrangentes e inclusivas,
cujo resultado é (e será, provavelmente) umha continuada subalternidade e umha
incapacidade de auto-afirmação e suficiência sistémicas e globais;
provavelmente também (haverá que estudá-lo) porque o projeto sistémico está
precisamente sustentado nessa mesma subalternidade.

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