Recebi um agradável e surpreendente email. Agradável pela pessoa em questão. Surpreendente porque, há seis anos a esta parte, e paradoxal que possa parecer, desconhecia o seu paradeiro. O último era sustentado em Immenstadt, cidade do Sul da Baviera, com 16 mil habitantes – talvez o número tenha subido. É possível que, neste espaço de tempo, tenham nascido por ali mais alguns alemãezinhos.
Afinal, a minha presença em A União, despertou
esse amigo. Leu o que escrevi e, de imediato, encetou o contacto pela via
apontada, começando por perguntar; “que é feito de si?”. Desconhecia (?) que eu
estava no Brasil e eu, por outro lado, idem, que o dito cujo amigo passou um
ano pela Finlândia e cinco pelo Japão, tendo agora regressado a Munique. Só não
especificou se tinha voltado para Immenstadt, aquela cidade que bem conheci e
que muitos dos seus cidadãos me acolheram de braços abertos nos dois anos
consecutivos em que lá estive. Jornalisticamente falando, fiz por isso, porque,
modéstia à-parte, sempre trilhei o caminho de trabalhar muito e bem. Por isso,
me orgulho das grandes reportagens que efectuei fora de portas, concretamente
nos Estados Unidos (8 vezes), Canadá (5) e Alemanha (2).
Já se falou de muitos terceirenses que brilharam
fora da sua terra. Grandes vultos, servindo de paradigma, e apenas para citar
este, Vitorino Nemésio. Claro que, ao nível, dos Açores, existiram outros,
citando Natália Correia, por exemplo.
Mas, de valores inquestionáveis, existem muito
mais, óbvio no rol dos vivos. Talvez se fale muito pouco dessas figuras de que,
como conterrâneos, nos orgulhamos pelos seus trabalhos desenvolvidos em
respectivas áreas. E é por aqui que pretendo realçar a figura de Carlos Ávila
Borba, que foi grande atleta, nomeadamente no basquetebol e no atletismo. Depois
rumou para os Estados Unidos onde se formou e, de seguida, tentou a sua sorte
na Alemanha, sorte essa toda virada para o sucesso, conforme constatamos
“in-loco”. Não só eu. Outros testemunharam, em Immenstadt, o valor e a
popularidade de Carlos Borba naquela pequena cidade. Para além da minha pessoa,
Jorge Monjardino, Paulo Massinga, João Valadão e José Brasil. Mas há, também,
neste aspecto, um ror de atletas portugueses e estrangeiros que participaram
nas várias edições da festa do atletismo em Immenstadt. Em uníssono, todos
elogiaram o afã de Carlos Borba. E a grande Rosa Mota, com quem lá estive na
segunda deslocação, teceu rasgados elogios à organização de Carlos Borba. Um
testemunho de grande valia, tratando-se de uma das maiores figuras do desporto
português e mundial.
Com mais estas passagens pela Finlândia e Japão,
Carlos Borba, que nunca esqueceu a terra onde foi nado e criado, deixou a
performance do seu inquestionável valor e, por certo, ostentou a “bandeira dos
Açores” como referência.
Será que Carlos Borba já foi distinguido numa
das Galas da Direcção Regional de Educação Física e Desporto? Será que Carlos
Borba já foi reconhecido pelo próprio Governo dos Açores? Os nossos valores não
se podem cingir, apenas, a Pedro Pauleta, que muito admiro e respeito. Ele
mereceu, mas é importante que outros reconhecidos méritos, como Carlos Borba,
façam parte do grupo do “Honra ao Mérito”. Que, nesse sentido, não sejamos
confrontados com “filhos e enteados”. Dá para perceber, senhores governantes
açorianos?

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