Morreu
Baptista-Bastos
O
jornalista e escritor Armando Baptita-Bastos morreu esta terça-feira aos 83
anos, confirmou o Expresso. Estava internado há várias semanas no Hospital de
Santa Maria, em Lisboa.
Armando
Baptista-Bastos nasceu em Lisboa a em 27 de Fevereiro de 1934. Frequentou a
escola de Artes Decorativas António Arroyo e o Liceu Francês.
Iniciou a
sua carreia jornalística em “O Século”, mas foi so serviço do “Diário Popular”
– onde trabalhou durante vinte e três anos (1965-1988) – que haveria de
conquistar maior notoriedade, sobretudo em géneros como a entrevista e a
reportagem.
Torna-se
mais conhecido do grande público pelas entrevistas relizadas na SIC entre
novembro de 1996 e janeiro de 1998. Nessas “Conversas Secretas”, fazia a todos
os convidados a pergunta "onde é que estavas no 25 de Abril?", o que
seria mais tarde glosado por Herman José no programa "Herman Enciclopédia".
Num breve
testemunho enviado por escrito para o Expresso, Herman José recorda que
conheceu "o famoso BB pela mão do Raul Solnado, que o adorava”. “Foi de
resto um dos grandes responsáveis da abertura do Raul à paixão pelos grandes
autores. Foi também o primeiro jornalista a exultar com a minha personagem Tony
Silva do “Passeio dos Alegres” (1981), a elogiá-la publicamente e a espantar-se
pelo facto de eu “navegar numa realidade – a das velhas vedetas das danças de
salão – apesar de tão novo”, prossegue Herman José. Os nossos nomes ficaram
ligados para sempre (e a nossa amizade cimentada) pela sua efusiva reação à
caricatura que dele fiz no 'Herman Enciclopédia', reproduzindo a mítica frase
'onde é que tu estavas no 25 de Abril?'.”
Baptista-Bastos
publicou mais de uma dezena de títulos de ficção, entre os quais "O
Secreto Adeus" (1963), "Cão Velho entre Flores" (1974), "O
Cavalo a Tinta da China" (1995), "A Colina de Cristal" (2000) e
"No Interior da Tua Ausência" (2002).
Ao longo
da carreira, o autor conquistou vários prémios, designadamente, o Prémio
Literário Município de Lisboa, em 1987, pelo romance "A Colina de
Cristal", que lhe valeu também o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção,
no ano seguinte.
Em 2002,
recebeu o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de
Críticos Literários, pela obra "No Interior da Tua Ausência". Em
2003, venceu o Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores
pelo livro "Lisboa Contada pelos Dedos".
Em 2006, recebeu os prémios de Crónica
da Sociedade da Língua Portuguesa, João Carreira Bom, e do Clube Literário do
Porto.

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