As estatísticas dizem que mais de dois mil portugueses estão
presos no estrangeiro. Quantos desses desgraçados serão açorianos é o que ainda
se não sabe. Mas era bom que o Ministério dos Negócios Estrangeiros nos
dissesse se há algum que necessite dos nossos cuidados. “Somos um Povo que quer
ser respeitado”, gritou-se então, e, para isso, é preciso que em primeiro lugar
nos
demos ao respeito. Somos, como
os portugueses de antanho, aventureiros dos sete mares, corre-nos nas veias o
sangue dos Dias, dos Cabrais e dos Gamas e muitos de nós só sentem prazer e
realização pessoal com as viagens por terra e mar. Em suma, gostamos de nos
meter em sarilhos. Daí que é fácil calcular que, dos presos em terra estranha,
estejam alguns dos nossos. Inocentes ou culpados, tanto faz, pois que são do
nosso sangue, e compete-nos olhar por todos os que, sendo nossos, de nós
precisem. Se não contarem conosco não podem contar com mais ninguém. Por aqui
vem outra questão que foi levantada por alguém há trinta anos. Trata-se das
relações diretas com o estrangeiro, no nosso interesse exclusivo. Quando
Natalino de Viveiros era Secretário, houve uma tímida tentativa de controlar o
comércio externo e, durante alguns meses, a coisa funcionou até que os
“intermediários” do costume se intrometeram e lá fomos proibidos de governar
esse nosso importante fator de desenvolvimento, pela odiosa tutela centralista.
Importações diretas é coisa impensável (para eles), pois, como os bens têm de
circular livremente no País, Lisboa perdia o controlo e, portanto, não.
Resultado, uma boa parte da riqueza que poderíamos gerar deixou de o ser.
Assim, a autonomia, tal como está, é mais colete do que alavanca do progresso.
Outra questão é a Base e ainda outra a Diáspora. Nada nem ninguém se deve poder
intrometer entre nós e tais assuntos. Senão, a autonomia não passa duma farsa.NOTA FINAL – Até hoje, nunca consegui apurar se existem alguns açorianos emigrados presos no Brasil. Evidentemente que, perante um assunto tão complexo, não poderei colocara s mãos no fogo. Nem o fato de ter sido nado e criado na região me leva a enveredar por esse caminho.

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