QUAL DELES?
Num discurso que o Fernando Henrique chamou de inacreditável, transmitido pouco dias antes da sua eleição, o candidato Bolsonaro rugiu que no seu governo os “marginais vermelhos” seriam banidos do pais e seus opositores só teriam uma escolha, aderir ou ir para a cadeia apodrecer junto com o Lula. Mesmo descontando-se a empolgação do momento, comum em comícios - o pessoal às vezes exagera um pouco, como disse o Sergio Porto quando lhe contaram que andavam espalhando que ele era homossexual - o discurso era de preocupar, e não apenas o Fernando Henrique. Já tinha marginal vermelho fazendo as malas, ou aderindo. Mas dias depois, eleito, Bolsonaro fez um chamamento pela união nacional.
A questão é saber que Bolsonaro tomará posse em janeiro, o cospe fogo ou o razoável. O ministério já conhecido só sugere que vem aí uma pizza mezzo obscurantista e mezzo imprevisível, principalmente no que toca ao comportamento de uma direita com raiva da esquerda, e com poder. Um dos novos ministros disse que a presença de uns poucos militares no governo não significava nada, muito menos uma militarização sorrateira. OK, só que quem disse isso foi o quarto militar convocado pelo Bolsonaro. Quando perguntaram ao Sergio Moro por que o chefe da casa civil da presidência não tinha sentido todo o peso da impiedosa Lava Jato no lombo pelo seu envolvimento com caixa dois, Moro respondeu: “Porque ele pediu desculpa”. De onde se deduz que o Lula só recebeu o rigor desproporcional da lei por falta de educação.
È impossível discutir com 60 milhões de votos. Bolsonaro foi eleito limpamente. Que seja e nos faça feliz, e viva a democracia. Pena que seu eleitorado não tinha como saber que um dos seus ministros seria um para o qual aquecimento global e ambientalismo são coisas de comunistas, também responsáveis pela distanciamento entre os homens e Deus, que outro ministro foi imposto pelos evangélicos, que não demorará muito para decretarem que o criacionismo desbanque o evolucionismo nos livros das criança, e que nos livros de história os 20 anos de ditadura passem a ser chamados de movimento de tropas, segundo a teoria Toffoli.

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