Curiosamente, encontro no Brasil aspectos semelhantes aos de Angola, inclusive o paisagismo. Quantas vezes já disse isso quando passo em sítios que me fazem recordar a nossa ex-Província Ultramarina. É de todo inquestionável que os portugueses são trabalhadores quando saem do seu país, servindo de paradigma aqueles que rumaram para os Estados Unidos, Canadá e Brasil. De Angola, também marcaram presença relevante no comércio, por exemplo. Era assim o destino da maioria dos civis, como eram conhecidos junto das Forças Armadas. Lembro-me, nomeadamente, de um civil que tinha uma mercearia-bar em General Machado (Camacupa) e que era da Calheta, São Jorge. Sempre que podia, lá ia bater um “papo” com este nosso conterrâneo, de nome Francisco.
Muitas vezes ia comer uma “galinha de fricassé”, especialidade da casa. Mas, como o mundo é pequeno, no primeiro Festival de Julho, realizado na Calheta, e que lá estive ao serviço de A União, encontrei esse mesmo cidadão que, após regressar de Angola, logo a seguir ao processo de Independência, rumou para a sua terra, concretamente para a Calheta. Óbvio que festejamos esse nosso reencontro com uma “fresquinha” da ordem.
Ao invés do que se passa nos Estados Unidos e no Canadá, para apenas citar estes dois países de acolhimento à emigração portuguesa, no Brasil a esmagadora maioria dos portugueses viraram-se para a indústria de panificação e, também, açougueiros – em Portugal diz-se talhantes -. Mas é nas padarias que se encontram mais portugueses emigrados para o Brasil há muitos anos. Sempre ouço dizer: aquela padaria é de português. Vou para outra localidade, o mesmo blá-blá, ou seja, padarias de portugueses. E, na verdade, é nas padarias onde, ultimamente, tenho feito algumas amizades com portugueses, uma das quais com o senhor Manuel (mais um Manel para a minha já extensa lista de amigos com esse nome), natural de Aveiro e que sempre nos falava da sua terra com um enorme entusiasmo. E eu, guloso como sou, repliquei: quando aqui chegam os saborosos ovos moles? Ficou a promessa de que, brevemente, na sua padaria iríamos ter esse doce divino. O problema é que mudei de localidade e nunca mais lá fui. Creio que, em curto prazo, darei um salto a Jacarepaguá para dar um abraço no Manuel.
Mais um dado curioso: o amigo Manuel de Aveiro, tal como eu, é simpatizante do Sporting Clube de Portugal e do Clube de Regatas Vasco da Gama. Ele que gostava muito do Liedson. Eu preferia sempre o saboroso pão da sua padaria. E que, na próxima visita (para quando?) já lá tenha na padaria os ovos moles de Aveiro. A propósito destes, lembro-me que, em 1991, quando o Nacional da Madeira e o Beira-Mar se defrontaram no Estádio de São Miguel (por interdição do estádio do Nacional, então treinado por Manuel de Oliveira), o presidente do Beira Mar, Vieira da Silva, no almoço com os jornalistas no Hotel São Pedro, ofereceu algumas caixas de ovos moles aos presentes. Eu trouxe duas caixas, uma na qualidade de chefe de redação do Jornal do Desporto e a outra como correspondente de “A Bola” nos Açores, uma vez que também fui trabalhar para “A Bola”, fazendo a reportagem de cabinas. Sempre ganhei alguma vantagem em relação aos restantes colegas.

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