EDUCAÇÃO DE MOGANGOS E PEVIDES TORRADAS!
Há anos, na freguesia das Doze Ribeiras, funcionava um Posto Clínico numa casa particular, alugada e adaptada para o efeito.
Confesso que não me lembro se funcionava todos os dias, mas até julgo que sim. Havia uma equipa de enfermagem que se revezava e um médico permanente.
Certo dia, durante a brincadeira de rua, como era normal naquele tempo, um dos meus irmãos fez um rasgo numa mão com um carrinho de cantoneiros. Foi um golpe profundo, correu bastante sangue e logo infectou. Então a minha mãe recorreu ao Posto Clínico, a fim das enfermeiras tratarem a referida ferida.
Quando lá chegou, encontrou uma sala de pessoas que esperavam pela sua vez. E como sempre, onde há agrupamentos de pessoas, há conversa, por vezes, banal, outras benéficas, um pouco de tudo.
Então, estava lá uma senhora que por acaso era solteira. Daquelas que apesar de não terem filhos, sabem tudo sobre educação, mais do que as que são mães.
Ao olhar para a mão do meu irmão, indagou. - O que é que te aconteceu nessa mão? - Ao que a minha mãe terá respondido o que tinha ocorrido. Logo, antes que mais alguém dissesse o que quer que fosse, começou a falar sobre educação. E então dizia ela.
- Esta canalha não tem educação nenhuma. Ainda me lembro do meu tempo, quando a minha mãe cozia pão, assava mogango e torrava pevides. A gente sentava-se todos no meio da casa e era uma alegria. Não tinha nada a ver com esta canalha de hoje em dia.
A sorte é que estava lá um daqueles senhores que não tem papas na língua. No entanto, não proferiu qualquer palavra, até a dita senhora acabar de falar sobre educação. Por acaso, o senhor de quem falo também era solteiro. E saiu-se com esta.
- Louvado seja Deus! Nunca tal vi mogango e pevides fazerem parte da educação!!!
Escusado será dizer que não houve mais diálogo, pois a risada foi geral. O médico e as enfermeiras também se juntaram aos risos, como se aplaudissem tão brilhante resposta.
Infelizmente, ainda hoje, ouço pessoas que nada têm a ver com Educação, que não têm filhos, portanto não sabem o que isso é. E prontificam-se a opinar sobre o que desconhecem na totalidade. Salvo raras excepções, pois conheço pessoas solteiras, ou casadas, sem filhos, mas que têm a verdadeira noção do quão difícil é educar.
Para pessoas atrevidas, por vezes, respostas assertivas vêm a calhar. Desconfio é que a ignorância seja crassa, por isso, não aprendem nada com a vida.
Conclusão. Nunca devemos falar de assuntos que não temos conhecimento de causa, pois corremos o risco de levar respostas desconcertantes.
22-03-2019
Graziela Veiga

Sem comentários:
Enviar um comentário