O botequim de Natália Correia
Maria do Rosário Pedreira
Já sou
suficientemente antiga para ter frequentado um bar ali à Graça chamado
Botequim, cuja mestra-de-cerimónias, por assim dizer, era Natália Correia com a
sua longa boquilha. Fui lá ainda universitária com o meu pai, que gostava
bastante da boémia, e mais tarde, já a trabalhar na edição, para assistir a um
lançamento de um livro de Javier Marías (Todas
as Almas, que, aliás, recomendo a quem não tiver lido).
Acho que não voltei lá, mas sei que por ali
passou muita gente interessante,
mesmo que nem sempre tão interessante como a patronne, que era uma mulher directa,
impagável e espirituosa como houve poucas em Portugal. Ora, o jornalista e
escritor Fernando Dacosta publicou recentemente O Botequim da Liberdade,
que fará decerto as delícias de quem frequentou o local e poderá, com a ajuda
da obra, recordar e rever muita coisa que esqueceu; e, por outro lado, é um
excelente fresco desse bar mítico e da sua grande dama, que ajudará os que não
tiveram oportunidade de o conhecer a fazer uma pequena ideia da sua importância
nesses tempos de tertúlias e encontros de intelectuais (com muito álcool e
tabaco à mistura). Irresistível, portanto.
Baptista Bastos | b.bastos@netcabo.pt27
de julho de 2012
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